Operação gigante mobiliza Sertão

Silenciosamente, uma operação da maior importância acontece na região semi-árida de Pernambuco. Aliás, do Nordeste. Ela já passou pela Bahia, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais. E chegou ao nosso Estado há uma semana.  São oito objetivos estabelecidos, mas o que chama maior atenção do #OxeRecife é “reparar danos ambientais identificados e prevenir a ocorrência de novas formas de degradação” na Bacia Hidrográfica do São Francisco. E, assim, “melhorar a qualidade do seu povo”. Ou seja, tudo que o Nordeste precisa.

A Operação se chama Fiscalização Preventiva Integrada, e dela fazem parte nada menos de 63 órgãos, que incluem Ibama,Ministério Público, Fundações (como a Funai, Funasa, Palmares), Universidades, organizações não governamentais, Polícia Rodoviária Federal, Ordem dos Advogados do Brasil, Marinha, Secretarias e Agências Estaduais do Meio Ambiente (Cprh, no caso de Pernambuco). Um dos braços da FPI é o resgate de animais silvestres, que se encontram em cativeiro.

Em uma semana, nada menos de 861 animais silvestres foram resgatados em Pernambuco pela FPI, 242 dos quais já foram devolvidos à natureza. Os outros animais – aves, répteis, mamíferos – estão sendo avaliados. Entre os animais apreendidos, encontra-se um papagaio da espécie Chauá, considerado raro e ameaçado de extinção. De ocorrência na Mata Atlântica, ele deve ter chegado ao Sertão via tráfico de animais. Outra ave de espécie rara é a Maritaca de Cabeça Azul, assim como o jacu. Foram encontrados em cativeiro pintassilgos do Nordeste, galos-de-campina, garibaldis, azulões, manés-magros, caboclinhos, bigodes, canários-da-terra, sibitos, cancões e uma Maria Fita. E também sibito e tico-tico. Outros animais silvestres achados em cativeiro pela FPI foram: uma cascavel, dez jabutis, uma tartaruga e um sagui, bichinho com o qual tenho a maior simpatia e interação (sempre aparecem aqui, na minha casa, em pleno Recife, em busca de comida).

A FPI inclui ações educativas (foto),  para conscientizar a população quanto à  importância da presença dos animais silvestres na caatinga. “Os trabalhos da FPI no contexto da Equipe da Fauna, demonstra que é possível uma mudança de paradigma da sociedade, por meio de uma ação educativa. A estratégia de  termos uma campanha para  “entrega voluntária” durante a FPI é uma comprovação de que é possível ter a sociedade como protagonista desse processo”, destaca o superintende do Ibama PE e coordenador da FPI, Francisco Campelo. Animais ainda não liberados estão sendo examinados e, dependendo das condições, poderão ser enviados ao Centro de Triagem da Cprh (Cetas Tangara), que fica no bairro da Guabiraba, no Recife.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação/ FPI/ Cprh

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