“Capibaribe Verde” e reflorestamento

Conheci o biólogo Sérgio Correia no mês de abril, ao saber da sua peleja para salvar um sagui que sofrera um choque elétrico em fio de alta tensão. Ele passou seis horas penando entre zoológico e hospitais veterinários até conseguir um socorro para o animalzinho, que havia queimado os membros superiores. Foi um sufoco. Mas a sua luta para socorrer o animal terminou lhe rendendo um prêmio, conferido pela Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh) a pessoas amigas da natureza.

Como eu amo as árvores, no último sábado, fui conhecer a Capibaribe Verde, empresa de reflorestamento onde Sérgio trabalha, que fica na área rural de São Lourenço da Mata, município localizado na Região Metropolitana do Recife. Legalizada há um ano, a empresa conta com viveiros com 5 mil mudas em estoque, e o objetivo é atingir essa produção por mês. Ou, posteriormente, um número ainda maior. Até o momento, 3.500 mudas foram negociadas , inclusive para plantio na Área de Proteção Ambiental Aldeia Beberibe, um dos últimos “pulmões” do Grande Recife. E também no município de Bonito, no Agreste de Pernambuco, que tem trabalho de destaque na preservação de suas matas.

A Capibaribe Verde pertence ao empresário Nivaldo Cavalcanti. Proprietário da Teletáxi e com negócios diversificados inclusive no setor rural, Nivaldo tem grande preocupação com o meio ambiente, de acordo com o biólogo, que também é gerente de Marketing da Capibaribe Verde. “Ele sempre teve um grande cuidado com a natureza, e tanto é assim que já chegou a condicionar o apoio (a grupos esportivos ou culturais) a ações para preservação do meio ambiente”, conta. “Por exemplo, o apoio cultural a uma quadrilha junina, pode ter como exigência o plantio de uma árvore ou limpeza de manguezal”.

Entre as mudas disponíveis para venda na Capibaribe Verde, encontram-se de espécies nativas como copiúba, pau-brasil, pupunha, imbiriba, visgueiro, ingá, aroeira, ipê-roxo. São árvores da Mata Atlântica. Das exóticas, a mais solicitada é a sabiá, planta conhecida como cerca verde, e muito utilizada para demarcar propriedades rurais. “Nossa proposta principal é a comercialização de árvores nativas, mas a sabiá é uma forma de atuar comercialmente em outro segmento”, explica Sérgio. Antes de inaugurar a Capibaribe Verde, os responsáveis pela implantação da empresa fizeram um estudo em dez viveiros que fornecem espécies nativas. “O que a gente observou foi a falta de foco empresarial. A maior parte não tinha nem georreferenciamento. Os viveiristas não sabiam precisar o número, o tempo e o lucro com as mudas”, diz. A Capibaribe Verde segue todo o protocolo exigido para uma empresa do setor e possui cadastro no Renasem (Registo Nacional de Sementes e Mudas).

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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