Lampião: bandido, herói ou história?

Herói para uns e bandido para outros, Virgulino Ferreira é o mais famoso cangaceiro que brotou nos sertões, quando a polícia vivia a serviço dos “coronéis” da caatinga e o povo morria de fome a cada seca, sem direito de reclamar. Oitenta anos após o encontro dos militares do governo de Getúlio Vargas com Virgulino e seus cabras, a vida dele entra em cena. Entre os dias 25 e 29 de julho, será apresentada a peça O Massacre de Angico – a Morte de Lampião.

Pena que a encenação não será será no Recife, mas sim em Serra Talhada, localizada a 418 quilômetros da capital. É muita estrada, mas quem quiser enfrentar, vai valer a pena. O texto da peça teatral é de Anildomá Willans de Souza, especialista em cangaço, e principal autoridades do município sertanejo, quando o assunto é Lampião. A direção é do veterano José Pimentel. O espetáculo ocorre às 20h, de quinta (26) a  domingo (29), na chamada Estação do Forró (antiga Estação Ferroviária). A entrada é franca.

A encenação faz parte da programação do Tributo a Virgolino – A Celebração do Cangaço, evento promovido pela Fundação Cabras de Lampião para recordar os 80 anos da morte do cangaceiro mais famoso. A realização é da Fundação Cultural Cabras de Lampião. E conta com patrocínio do Funcultura/Secretaria de Cultura/Governo do Estado de Pernambuco e Prefeitura Municipal de Serra Talhada. Diversas empresas locais colaboraram com a montagem sobre Lampião, que teve sua estreia em julho de 2012, com sucesso.

Espera-se que mais de 50 mil pessoas assistam ao espetáculo nesses dias da temporada. São 50 atores e 70 figurantes, além de 40 profissionais na equipe técnica e administrativa. A peça mostra trajetória do Rei do Cangaço, desde sua entrada para a bandidagem – motivada pela briga com um fazendeiro – até o massacre de Lampião, Maria Bonita e de nove outros cangaceiros, em 28 de julho de 1938. Para mim, Lampião foi uma consequência do seu tempo e dos problemas sociais vigentes no Sertão. A diferença dele, em relação aos outros cangaceiros era que era bom em tudo que fazia, da estratégia bélica à confecção de roupas e artefatos de couro para o cangaço.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Manu/ Divulgação

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