Cantadores: “Bolsonaro é marca do passado”

Pensem em uma dupla afiada. Ivanildo Vila Nova é conhecido como o “Príncipe dos Cantadores”. Oliveira de Panelas, com seu vozeirão, é chamado de “Pavarotti das Cantorias”. Na segunda-feira, os dois estiveram na Academia Pernambucana de Letras, no bairro das Graças, durante comemorações do Dia Nacional do Escritor. E deram um show de bola entre entre galopes à beira mar e outros gêneros da cantoria. Quem dava os motes era a plateia.

Até que alguém sugeriu: “O Brasil tem jeito?” Para os cantadores, tem que mudar tudo, renovar as nossas representações políticas e… um Brasil com Jair Bolsonoro, nem pensar. “É uma volta ao passado”, destilaram em versos. Na verdade, uma referência ao Brasil pós 1964, quando o país vivia sob ditadura militar,  não havia estado de direito e presos políticos morriam nos porões da ditadura. Ivanildo  nasceu em Caruaru, tem mais de 50 anos de carreira, coleciona prêmios, foi um dos responsáveis pela profissionalização da cantoria e é uma eterna fonte de inspiração para a nova safra de poetas populares. Oliveira é poeta, repentista, escritor e cantador. Tornou-se profissional aos 14.

Já cantou para o Papa João Paulo I, por três vezes para o Rei Roberto Carlos e para presidentes estrangeiros, como Mário Soares (Portugal) e Fidel Castro (Cuba), ambos já falecidos. Presidiu a Associação de Poetas Repentistas do Brasil. Tem CDs gravados, livros e cordéis publicados. Os dois cantaram a convite do escritor José Paulo Cavalcanti, compadre de Ivanildo e estudioso da cantoria, que fez palestra sobre o assunto  para um auditório lotado, e que não cansava de dar motes para os desafios dos dois. O “passado” é mesmo quem? Veja o que a dupla diz sobre o Brasil e Bolsonaro, no vídeo abaixo:

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Texto, foto e vídeo: Letícia Lins / #OxeRecife

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