Exemplo para o poder público

Muito legal a festa realizada por moradores de Casa Amarela, para comemorar o terceiro aniversário da horta urbana, por eles implantada, naquele bairro da Zona Norte. A horta surgiu com o objetivo de recuperar um terreno degradado, esquecido pelo poder público, e no qual deveria ter sido construída uma praça, que nunca chegou a ser concretizada.

No dia 16, feriado, o terreno de 1,6 mil metros quadrados – repleto de hortaliças e árvores frutíferas – estava cheio de gente. Vinte barraquinhas da Feira Livre do Poço comercializavam plantas, confecções, alimentos saudáveis e orgânicos, bijuterias, entre outros produtos. Pela manhã e no início da tarde, o impagável percussionista Jorge Martins – que consegue extrair sons até do próprio corpo – fez oficinas de música com crianças do bairro. Houve, também, roda de diálogos sobre agricultura e reflorestamento urbano.

Bebidas e comidinhas eram comercializadas em barracas e trailers. Todo mundo conversando, mostrando o quanto é importante essas áreas de convivência, que começam a aparecer com frequência na Zona Norte, por iniciativas da própria comunidade. O final da tarde foi coroado com apresentação do Coral Cantarte, formado por mulheres (à exceção do Maestro Jadiel Gomes e do violinista Fernando Vila Chan).

Claro, houve, também, distribuição e plantio de mudas. O que se observa, no entanto, é que ainda há muito o que fazer, por parte da Prefeitura, no entorno da horta. É só dar uma olhada no local: o canal que corta a horta, por exemplo, possui uma pequena ponte e uma passagem de pedestre caindo aos pedaços. Há, também, sujeira acumulada no canal, que um dia já foi um riacho e que virou um esgoto a céu aberto. A Avenida José dos Anjos, que margeia a horta, nem sei se pode ser chamada assim: pois é uma buraqueira sem fim.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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