O lado alucinante da música clássica

Mais antiga em atividade ininterrupta no Brasil, a Orquestra Sinfônica do Recife está completando 88 anos. E por esse motivo, convida os recifenses para celebrar as quase nove décadas dedicadas à música erudita, no quinto concerto oficial da temporada, que acontece na quarta-feira (18), no Teatro Santa Isabel. E o programa de aniversário inclui Beethoven e obra do próprio regente da orquestra, Marlos Nobre, o Opus 124.

De acordo com o Maestro, a peça, de abertura festiva, reúne o Maracatu (que fascina o maestro desde sua infância) ao Samba do Rio de Janeiro e às memórias afetivas musicais que ele colecionou em suas andanças pelo Brasil, como o Carimbó (do Pará), a Prenda Minha (de Porto Alegre). “Tudo misturado em uma fantasia sinfônica alucinante”, antecipa. De Bethoveen, ela traz para a OSR a Sinfonia nº 7 em La Maior. A composição é de 1812, quando o compositor já sofria de surdez. “Mesmo assim, a obra mudou os rumos da música sinfônica no mundo, apontando para o futuro”, lembra Marlos Nobre.

Ele  lembra a história, para mostrar o avanço da música para o início do século 19, que chegou a ser considerada como de “loucos”. Explica: “A obra começa com uma introdução pouco habitual para a época. O primeiro tema lírico aparece no oboé, passando em seguida aos outros solistas do naipe de madeiras. O segundo tema, solene, é de novo entregue ao oboé e depois às cordas. A parte principal do movimento, Vivace, em forma de sonata e em estilo de dança, comporta um possante crescendo”, lembra. E acrescenta: “Segundo o testemunho de Carl Maria Von Webern, presente na estreia, é música apropriada para uma casa de loucos’.

“Isso demonstra, por si só, a enorme inovação e audácia de Beethoven ao romper com os conceitos e métodos de então, quando “surpreendeu até mesmo seus mais qualificados colegas compositores”, diz o maestro Marlos Nobre. Ele destaca ainda o 2º movimento da sinfonia como o mais impressionante e solene de todos os “allegrettos” escritos na música sinfônica. Como ocorre todos os meses, na véspera (17) do concerto oficial, a Sinfônica realiza mais uma edição de Concertos para a Juventude. O programa é o mesmo será apresentado para aos adultos, no dia seguinte. A sessão para jovens é às 10h, no mesmo Teatro de Santa Isabel. Com com direito a explicações do maestro sobre sonoridades e compositores da música erudita. Idealizados pelo maestro Marlos Nobre, com o objetivo de popularizar a música clássica, os Concertos para Juventude são gratuitos, mas exigem inscrição prévia. Para participar, é preciso agendar pelo telefone 3355-3323.

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Serviço
Concertos para Juventude
Data: Terça-feira, 17 de julho
Horário: 10h
Local: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, Bairro de Santo Antônio)
Inscrições: 3355-3323

Quinto Concerto Oficial da Temporada 2018 da Orquestra Sinfônica do Recife
Data: Quarta-feira, 18 de julho
Horário: 20h
Local: Teatro de Santa Isabel (Praça da República, Bairro de Santo Antônio)
Entrada franca. Ingressos distribuídos na bilheteria do teatro, uma hora antes da apresentação
Informações: 3355-3322

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Adréa Rego Barros/ Divulgação/ PCR

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