“Solteira é que não fico”, belo espetáculo

Este ano, deu de tudo na 34ª edição do Concurso de Quadrilhas Juninas Adultas, realizado pela Prefeitura, no Sítio Trindade. Mas, felizmente, as três primeiras colocadas no certame escolheram temas que têm a ver com nossa cultura e nossa terra. As quadrilhas evoluíram, e contam hoje com estrutura que lembram escolas de samba. Possuem enredo, coreógrafo, fantasias luxuosas, profissionais chamados quadrilheiros. Teve quadrilha que apresentou como tema homenagens até a Valdick Soriano e Reginaldo Rossi. Nada contra os reis do brega, mas que têm eles a ver como nosso São João? Mas há motivo para comemorar: a Quadrilha Lumiar, do Pina, foi a grande vencedora do concurso promovido pela Prefeitura. E o enredo tinha a cara dos festejos juninos: Na Festa de Santo Antônio, Solteira é que não fico, lembrando o santo casamenteiro, as crenças e simpatias a ele ligadas.

Todo mundo sabe, no Nordeste, que Santo Antônio é um dos santos mais populares da região. E também as crenças e superstições que sua imagem envolve. No ano passado, a Lumiar já ficara em terceiro lugar. E em 2018, o grupo, fundado em 1994, vai ter direito a R$ 16 mil em prêmios, tendo brilhado entre as 42 que participaram do concurso.   “São 174 pessoas, trabalhando o ano inteiro para o sucesso acontecer”, afirma o Diretor de Produção, Augusto César. Aqui no #OxeRecife, houve leitores que reclamaram dessa nova face das quadrilhas, como Helena Amaral, Giovanni Pelinca e Nilza Amaral. Nós, que somos mais antigos, habituados ao chapéu de palha e aos vestidinhos de chita do passado, estranhamos.

Mas não custa nada deixar que os dois tipos convivam, lado a lado. Por esse motivo, acho que nas festas do Sítio Trindade, também poderia ter espaço para as quadrilhas tradicionais se apresentarem, em um palhoção qualquer. Só com o espírito da brincadeira, sem a loucura competitiva que envolve hoje as quadrilhas temáticas.  E quanto às luxuosas, deveriam, pelo menos, ter como obrigação, o São João ou nosso folclore no enredo. Como são muito bonitas, torço para que o maior número de pessoas possam vê-las e que, como ocorreu no ano passado, ganhem os palcos do Recife. Elas merecem. Porque o que a Lumiar apresentou foi um verdadeiro espetáculo. E não custa nada ao grupo ganhar novas plateias. Parabéns, Lumiar.

A segunda colocada no concurso, felizmente, também teve apelo regional. A Dona Matuta, do bairro de San Martim, fez uma viagem à famosa Feira de Caruaru, com o tema De Tudo que Há no Mundo. A quadrilha (que ficou em primeiro lugar na edição anterior do concurso) receberá R$ 9 mil, além dos R$ 3 mil pela classificação para as finais. Em terceiro lugar, classificou-se a Junina Tradição, fundada em 2004, no Morro da Conceição, que defendeu este ano o tema São João em Saruê, inspirado no poema A Viagem ao País de São Saruê, de Manuel Camilo dos Santos, que narra um lugar distante e de natureza exuberante, onde não existe pobreza, cenário ideal para uma animada festa de São João.   A Junina Evolução fez um belo espetáculo, porém mais próximo de uma companhia de danças. Adotou tema Bravos, lembrando os 130 anos de assinatura da Lei Áurea e todos os problemas sociais atuais que ainda existem em decorrência da escravidão. A Origem Nordestina,quinta colocada,escolheu Rainha, o casamento de Oxum. Belo espetáculo, mas se fosse um tema com Xangô, talvez fosse melhor. Afinal, No sincretimo religioso, Xangô equivale ao nosso São João, o rei das festas religiosas e profanas do mês de junho.

Vejam, nas fotos de Andréa Rego Barros, a beleza dos grupos vencedores:

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Andréa Rego Barros/ Divulgação/ PCR

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