“Olha pro céu meu amor”, mas muito cuidado com a lenha da fogueira

Nesse tempo de tradição junina, é bom se prevenir. Todo cuidado é pouco, quando for adquirir a lenha para preparar sua fogueira. Antes da compra, verifique a legalidade da origem da madeira, perguntando de onde ela veio ao vendedor. Caso não seja decorrente de podas realizadas nas ruas do Recife, é bom prestar atenção para não levar para casa madeira das nossas matas, já tão combalidas.

Nas calçadas dos subúrbios do Recife, a oferta é grande. E os preços são variados. “Vamos brincar, sem esquecer o que é sério. Soltar balão e fazer fogueira com madeira ilegal são crimes ambientais”, adverte a Agência Estadual do Meio Ambiente (Cprh), em mensagens que vêm sendo divulgadas nas mídias sociais. “Vá fazer fogueira, preste atenção na madeira”. Segundo a analista ambiental da Cprh, Cínthia Lima, devemos optar por lenhas resultantes de cortes para  poda, como as realizadas por Celpe e Emlurb.

Lenha procedente de árvores nativas (como ipê e baraúna), nem pensar.  A não ser que possuam documento de origem vegetal, o que não é fácil. Mas a extraída de plantas  exóticas, como a algaroba, castanhola, azeitona preta, jaqueira, mangueira estão liberadas. Multas em caso de desrespeito à legislação e à natureza podem chegar a R$ 300 por unidade (como as fogueiras da foto acima), que registrei em Apipucos. Felizmente, essas à venda na beira do Açude, na Avenida 17 de Agosto estavam dentro dos limites da lei. Também foram fiscalizadas outras, em municípios vizinhos. Tudo certinho. Graças a Deus.

A fiscalização vai ser intensificada até o final do mês. Na quinta, houve vistorias em Aldeia, Camaragibe, Recife. Quem vir madeira de ipê, pau-brasil, baraúna (entre outras)  sendo comercializada deve denunciar.  As informações podem ser feitas para a Ouvidoria Ambiental  da Cprh no Recife, no telefone  (81)  31828923. A Cprh faz um lembrete, ainda, sobre uma tradição que também pode provocar tragédia, como incêndio.  “Soltar balão é soltar confusão. Pode acabar em prisão”.

Cresci em meio às comemorações juninas com tudo que se tem direito: fogueira, fogos, quadrilhas na rua e… balão aceso no meio da noite, que sumia no céu azul escuro. Era uma festa, quando ele desaparecia, virando uma estrelinha distante no céu. As tias até sabiam confeccioná-los, com papel de seda colorido. Lembro até do cheiro do querosene, para alimentar a chama no chumaço de algodão, que garantia sua leveza. A família participava de todo o ritual. Naquela época não se falava tanto em acidente, embora a ingênua alegria das crianças pudessem provocá-los. E na minha cabeça de pirralha, céu sem balão não era céu de São João. Pena que ninguém inventou ainda um balãozinho de led à prova de incêndio, para sair voando com o povo cantando “Olha pro céu, meu amor/ Vê como ele está lindo/ Olha praquele balão multicor/ Como no céu vai sumindo”.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife 

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