Viva a árvore mágica, no Dia do Baobá

Hoje é Dia do Baobá, árvore mágica, sagrada, agregadora. E considerada por muitos como o maior colosso vegetal do mundo. Imaginem só uma planta que pode durar mais de mil anos. E cujo tronco serve de bar, moradia, abrigo para elefantes (quando seus caules são vazados), igreja e até cemitério. Sim, nele são enterrados os griôs, como são chamados os sábios das comunidades senegalesas. Também oferta alimentos e água, em tempos de estiagem.

No Recife, eles somam mais de 50, segundo o antropólogo Fernando Batista, que tem uma dissertação de mestrado sobre a importância da árvore para os seguidores do Candomblé. Ele não só estuda o baobá, como já semeou vários exemplares em pelo menos quinze cidades brasileiras, incluindo Salvador, onde tive o prazer de ver as árvores crescendo em terreiros de Candomblé. No Recife, o mais famoso fica na Praça da República, onde está o Palácio do Campo das Princesas, sede do Governo de Pernambuco.

A árvore é protegida por Lei Municipal, sendo o baobá  mais conhecido do Recife. Acredita-se que o exemplar tenha sido plantado no início do século passado. O baobá, que já virou atração turística, agora não está mais só. Em canteiros da mesma Praça, há dois baobás jovens, que foram plantados no século 21. Um deles foi para assinalar a passagem dos 80 anos do escritor Ariano Suassuna (1927-2014), um dos autores contemporâneos mais populares  no Brasil. Pelo que dizem os pesquisadores, nosso estado é a unidade da Federação com o maior número de baobás. Segundo o Professor John Rashford, “Pernambuco é o coração da espécie no Brasil” e o Recife, “a cidade dos baobás”. Rashford é antropólogo, especialista em etnobotânica e pertencente ao Departamento de Sociologia e Antropologia do College of Charleston (EUA).

No Recife, só outra praça se compara à da República,  quanto à concentração de baobás. É a Adolpho Cirne, onde fica a Faculdade de Direito do Recife. O mais antigo, segundo Fernando Batista, foi plantado na década de 1980, com muda doada por Irineu Renato Barbosa, conforme placa afixada no local, onde se identifica o baobá com a expressão dos povos iorubanos: Igi Oxè. Um segundo foi plantado em 2008, pela então Diretora da FDR, Luciana Grassano e pela atriz Fabiana Pirro. O mais recente teve plantio feito em 2012, por alunos da FDR.  Na nossa cidade, um exemplo do poder agregador da árvore mágica é o Jardim do Baobá, erguido em torno de um exemplar centenário, à margem do Rio Capibaribe. O Jardim virou saudável ponto de convivência da comunidade não só de bairros próximos – Casa Forte, Jaqueira, Graças e Torre – como de todo o Recife. Sim, em tempo, vamos acabar com uma notícia que circula com frequência nas redes sociais, a cada flor de baobá desabrochada no Recife. É falsa a informação que isso só acontece a cada 50 anos. De acordo com Fernando, que estuda a planta, a floração ocorre um vez por ano.

Vamos, pois, saudar o baobá, uma das árvores mais generosas que a natureza nos deu. Veja galeria de fotos de baobás do Recife, entre jovens e antigos:

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Texto e fotos: Letícia Lins/ #OxeRecife

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