“Arruar” mostra o Recife do passado

Não sei que fim levou uma edição antiga que eu tinha, de Maxambombas e Maracatus, de Mário Sette, livro que me serviu muitas vezes para consulta sobre o Recife do início do século 20. O fato é que ele sumiu. E aí, em uma das rodadas de conversa lá na Academia Pernambucana de Letras, peguei na cestinha de livros dois exemplares daquele escritor: Romances Rurais e Romances Urbanos que me deram uma gostosa viagem de volta ao passado. Agora nos vem uma boa notícia: o lançamento de Arruar: História Pitoresca do Recife, do mesmo autor (1886-1950). Será a  partir das 19h de hoje, na Academia Pernambucana de Letras.

 

A edição é Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), que nos permitirá acesso a um livro cuja última publicação data de sete décadas. ”Nas 472 páginas em que Mário Sette se debruçou, um retrato do Recife que se fez cidade desde os tempos maurícios até o século 20. Nessa fotografia em forma de prosa poética, uma oportunidade de conhecer, sentir o cheiro, as cores e os sons, a narrativa da formação da cidade e, dessa maneira, compreendê-la no tempo presente e no futuro”, informa a Cepe. Sobre a edição do livro, de 1948, disse o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) em bilhete dirigido ao autor:   “Aprendi muita coisa no seu livro sobre minha querida cidade natal”. Imaginem, então, o que não teremos a aprender sobre o Recife, 70 anos depois… Arruar passa em revista bairros que, ainda hoje, guardam muita presença da paisagem do passado, como é o caso do Poço da Panela (foto), cenário de um dos seus romances urbanos,  Os Azevedos do Poço (1938).

Na mesma noite dessa segunda será lançado Bacamarte, Pólvora e Povo, de Olimpio Bonald Neto, também esgotado e, por isso, reeditado, 42 anos depois de sua primeira publicação comercial. Considerado um clássico, o livro foi fruto de pesquisa realizada em 1963 para o então Instituto Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais.  O estudo é sobre um manifestação muito presente nos festejos juninos de Pernambuco, porém pouco investigada por sociólogos, antropólogos e historiadores. A manifestação tem origem na Guerra do Paraguai (1886-1870). Sendo que no período da ditadura, pós 1964, os grupos de atiradores chegaram a ser confundidos pelos militares com milícias de guerrilheiros da esquerda.  Essa revelação, no entanto, não consta do texto do livro, mas do prefácio, escrito por Ivan Marinho, que é presidente da Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo, Patrimônio Vivo de Pernambuco. Vale a pena conferir.

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Serviço:
Lançamento de Arruar, História pitoresca do Recife Antigo e de Bacamarte, Pólvora e Povo
Data: 18.06.18
Horário: a partir das 19h
Local: Academia Pernambucana de Letras
Endereço: Avenida Rui Barbosa, 1596, Graças
Valores dos livros: Arruar: história pitoresca do Recife Antigo – R$ 35,00 e R$ 12, 00 (E-book); Bacamarte, Pólvora e Povo – R$ 15,00 e R$ 4,50

Texto e foto: Letícia Lins/ #OxeRecife

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