Erro coletivo em fila para abastecer

É certo que todo mundo está sem combustível e precisa dele para se locomover. E que é preciso ficar muitas horas na fila, aguardando a vez de abastecer. Mas é um absurdo o que aconteceu na manhã de hoje, no Posto da Petrobrás, que fica ao lado da McDonald´s no bairro de Casa Forte, Zona Norte do Recife. Dá para ver onde os carros estão? Todos, literalmente, em cima da calçada. E o pedestre que se dane. Sinceramente, essa ocupação indevida não era necessária.

Na minha caminhada matinal, vi filas em três postos de gasolina, mas apenas neste, havia o flagrante desrespeito a quem precisa de calçada, para não correr o risco de ser atropelado no meio do asfalto. E não era um carro só não. Eram, simplesmente todos. Cadê a Cttu? Mas parece que é assim: um faz errado e todos cometem o mesmo equívoco. Nos dois outros postos onde vi filas, não tinha carros ocupando o espaço de quem anda a pé. Até porque, com a falta de gasolina, tem gente, como eu que prefere deixar o carro na garagem e fazer tudo andando.

Á espera de gasolina, motoristas praticam erro coletivo, ao deixar o pedestre sem espaço nas calçadas: falta de respeito.

 

Mas essas cenas daí, de erro coletivo me fez lembrar sabe o quê? O ano de 2014, quando uma enchente destruiu o centro da cidade de Abreu e Lima, na Região Metropolitana, quando a população se achou no direito de saquear as lojas. Foi uma ação não combinada, mas coletiva. De uma hora para outra, todo mundo virou ladrão. A avó, o avô, o pai, a mãe, o filho, o neto, o trabalhador. Foi um uma histeria coletiva, uma sanha de roubar.

Ou seja, todos se sentiram no direito de errar. Depois, veio o arrependimento coletivo. E o que foi de fogão, geladeira, forno de micro-ondas, sofás deixados no meio da rua  não dava nem para contar. Parecia cena de cinema, por conta do arrependimento e também do medo da polícia. E teve gente que foi na delegacia de polícia, devolver…. o produto do furto. Os depósitos ficaram abarrotados. No caso da fila de gasolina, guardadas as diferenças quanto à gravidade dos dois tipos de infração – o de Abreu e Lima e o do Recife – parece ter acontecido o mesmo: um subiu na calçada e todos os outros motoristas se sentiram no mesmo direito de botar as quatro rodas no local destinado a pedestres. Errar é humano. Mas persistir no erro, em caráter coletivo, aí… já é demais.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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3 comentários

  1. nenhuma novidade, carrocrata sempre achou que calçada de posto é extensão da rua, pedestre tem que correr…
    Aliás, no Recife pedestre tem que correr até na faixa de pedestres

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