O porco bicho e o humano porco

Sem combustível e com a rua deserta de dar medo, fui caminhando de Apipucos até o Poço da Panela, no último domingo. Meu objetivo era participar da festa do Jardim Secreto,  que completa um ano. Para os que não sabem, o Jardim Secreto resulta do esforço coletivo de moradores do Poço da Panela, que recuperaram um terreno degradado, transformando-o em área de lazer e convivência. O terreno tem 3 mil metros quadrados, e fica à margem do Capibaribe. Vivia cheio de entulhos, lixo, metralhas, na mesma situação dessa calçada que vocês observam aí na foto.

Agora o Jardim Secreto tem gramado, hortaliças, flores, frutas. E os moradores do bairro cuidam dele com o mesmo cuidado e amor que dedicam às suas casas. No domingo, o Jardim Secreto foi alvo de longa programação. Teve até meditação, feirinha, debate sobre o futuro da cidade, comidinhas e venda de cervejas artesanais. Uma festa da cidadania. Mas vejam que cena grotesca que me deparo no meio do caminho, quase na esquina da Rua Ilha do Temporal com a Avenida 17 de Agosto. Todos os dias, tenho que sair da calçada em minha caminhada, porque esse trecho está sempre assim. Podre. Culpa da falta de sintonia entre o descarte feito pelos moradores e horário da coleta. Ou da iniciativa de porcalhões mesmo, que não faltam ao longo daquela via e e áreas vizinhas.

Inclusive ao redor da Paróquia de Nossa Senhora das Dores e na própria Praça, onde há descarte de cocô de cachorro, metralhas, lixo doméstico, restos de plantas.  Dia desses, colhi nada menos de 30 garrafas de água mineral e refrigerante na Praça. É mesmo muita falta de educação, cidadania e conscientização da importância de manter sadio o ambiente. Esse ponto de descarte da foto, bem pertinho do Colégio Silva Jardim é tão imundo que os porcos até deram para fazer festa. Não me refiro aos porcos humanos, mas aos animais mesmo.  Eu ia passando, e eles estavam lá, comendo, sujando e espalhando mais ainda o lixo. Quando parei para fotografar, correram para se esconder, mas esse último, mas gordinho, ficou imprensado no buraco na base do muro.  Fiquei sem saber quem é mais sujo, o porco bicho ou o humano porco. Depois… a população ainda reclama da sujeira e de rato na rua. Reclamar é bom. Mas levar multa seria melhor ainda.

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