Com filas, Brasil lembra Venezuela

Parece a Venezuela, com sua crise com todos os tipos de abastecimento. Mas a cena aí da foto é Brasil mesmo. Pernambuco, Recife. E é fila para abastecer. Foi na minha caminhada matinal pelos bairros de Apipucos, Monteiro, Casa Forte, Casa Amarela. No meu percurso, três postos de gasolina estavam assim, com filas que tomavam quarteirões. No retorno, o combustível de um deles, junto ao Açude de Apipucos, havia se acabado. Então, motos e carros foram embora. Para tentar abastecer no posto mais próximo. E a histeria está ficando grande.

Em Casa Forte, perto do Plaza Shopping, tinha motorista até andando na contramão, para chegar logo ao Posto Shell que fica na esquina da Rua Virgínia Loreto, cuja fila já estendia pela Dezessete de Agosto à altura daquele centro de compras. Já tomei uma decisão. Desde a última quinta-feira, que resolvi que só ando a pé. Se for preciso, Uber, TX ou by bus.  Fazer tudo por perto, caminhar até onde der. Passar até dez horas em uma fila, esperando combustível? Nem pensar. Deixa o carro em casa mesmo, com o ponteiro na reserva. Então, faço tudo caminhando pelo meu bairro e bairros vizinhos. Compra no supermercado sim, e feira também. Mas aí, em doses homeopáticas, que possam ser carregadas na mochila das costas. Nada de encher carrinho.

Gosto muito de caminhar, mas sem carregar peso. E no sábado, a mochila pesou demais para meu padrão de conforto. Então resolvi esperar um ônibus, para voltar para casa. Em menos de cinco minutos, chegou um. Hoje, fui a pé ao Pilates (Apipucos- Casa Forte) e depois ao curso de Inglês (Casa Forte-Parnamirim), de onde voltei para Apipucos (a pé, também), assistindo o desespero das filas a cada posto de gasolina. Ao chegar em casa, vi que faltavam alguns alimentos básicos na dieta da família. Como já tinha andando muito e começou a chover, peguei um Uber para ir ao Mercadinho Bonde+, na Estrada das Ubaias, em Casa Amarela.

E quem disse que o Uber quis me esperar?  O motorista afirmou que tinha outra chamada e foi embora. Dei a nota que merecia. E depois das compras, lá venho eu, andando de novo, com a mochila com mercadorias, começando a incomodar. Chego na parada de ônibus, na Avenida 17, e resolvo aguardar um coletivo. Não esperei nem cinco minutos. Quando desembarco, em Apipucos, já tem outro atrás da mesma linha.  Fiquei pensando porque em dias sem crise de abastecimento eles demoram tanto, até 20, 30, 50 minutos. E por que com uma crise dessa, com diesel em falta, eles estão tão rápidos?  A pergunta é: temos ônibus suficientes para a população?  Ou será que em dias normais, eles demoram muito porque o trânsito do Recife não anda mesmo? Para as bandas de cá, na Zona Norte, ônibus não está faltando ônibus não nessa segunda de crise. Matando a charada: o que está faltando é passageiro (já que colégios, repartições e até algumas empresas não funcionaram hoje). E o que sobra é espaço na rua, para o ônibus circular (já que, sem gasolina, os carros ficam em casa, em grande maioria). Na Região Metropolitana, 2.700 ônibus circulam em dias normais.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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