Haja passarinho caindo do ninho

Quase diariamente, noticio aqui no #OxeRecife informações sobre bichinhos desgarrados da mãe, perdidos, feridos ou mesmo resgatados por populares, que terminam chegando na Agência Estadual do Meio Ambiente, que é quem responde, hoje, pelo recebimento, tratamento e reintrodução de animais silvestres em Pernambuco. Mas na segunda, foi a minha vez. Moro em um bairro perto de rio e de mata e, por esse motivo, sempre tem ninho de passarinho ao lado de minha casa.

Ás vezes, cai algum filhote. Quando o ninho é baixinho, coloco lá de novo e ele fica com a mãe até ganhar asas para voar. De outras, os bichinhos, ainda jovens, ficam por aqui, alimentam-se (quase sempre, com ajuda) e depois batem asas e vão embora, ganhar o mundo. Mas desde a noite do último sábado, que essa situação complicou, em um ninho de bem-te-vi, no alto de um pau-brasil. Caiu o primeiro. Mas ficou tão debilitado com a queda, que não conseguia comer. Terminou morrendo. Caiu um segundo, que não vi. Só soube. Caiu na calçada, e o gato comeu.

Na segunda, início da tarde, quem eu vejo na calçada? Outro filhote. A mãe, lá em cima, voando, com certeza querendo o filho de volta. Mas como colocá-lo no ninho, lá em cima, no alto da árvore?  O jeito foi resgatá-lo, antes que um gato ou um cachorro acabasse de vez com este. Acolhi o animalzinho (bem mais esperto do que o primeiro), mas vi que tinha uma asinha ferida. Também não queria comer, como o primeiro. Aí, me deu pânico. Vai morrer, como o irmão. Tentei várias vezes. Nada. Bico travado.

Aí, não pensei duas vezes. Acomodei-o em uma caixa de sapato e fui para a Cprh, onde meu pobre bem-te-vi deu entrada sob o registro 237/2018. Registrei o problema da “família”, os filhotes que estão caindo do ninho (penso que este não está muito bem equilibrado), as duas mortes e a resistência do passarinho em comer. Pronto, está entregue e, tenho certeza, será bem cuidado. Vai ser preciso abrir o bico dele, forçando, para que ele se alimente (não saberia fazer isso). Ás 15, ele seguiu para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas Tangara), que fica na Guabiraba. Bem cuidado, espero que o bichinho ganhe asas e volte à natureza, como a mãe, que está cuidando do resto da ninhada. Espero que não caia outro de novo. E você, quando achar um bicho silvestre em lugar inadequado, por favor, faça isso. Entregue a quem de direito.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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