Praça de Casa Forte sem feira paralela

Inicialmente destinada a produtos orgânicos e ampliada aos poucos, com a oferta de outros itens – plantas, artesanato, geleias caseiras, temperos, livros, jarros – a divertida feira que ocorre aos sábados, na Praça de Casa Forte, pode não ser mais aquela. Na semana passada, todos os vendedores que integram a “feira paralela” receberam comunicado da Prefeitura, informando que aquela seria a última edição naquele modelo e que, a partir de agora, só ficaria no local as barracas de verduras e hortaliças.

De acordo com os integrantes da “feira paralela”, não houve sucesso entre aqueles que tentaram regularizar a situação. “Teve gente que foi em um lugar, foi mandado para outro e terminou desistindo de tanta burocracia”, afirma Diego Arruda Lins que, durante toda a semana, vende frutas e verduras e uma camionete estacionada ao lado da Praça, e que já formou clientela no local. Aos sábados, ele “bate ponto” na Praça. “Trabalhei no controle de qualidade de uma concessionária de automóveis, mas perdi o emprego”, diz. “E se for proibido de trabalhar aqui, vou fazer o quê”?.

Diego perdeu o emprego e trabalha durante toda a semana, na Praça de Casa Forte, inclusive aos sábados: ponto ameaçado.

Essa semana, o pessoal da “feira paralela” criou um abaixo assinado na Internet, que tinha mais de 1.200 assinaturas em defesa da permanência dos comerciantes. “No sábado, 12 de maio, nós, produtores artesanais e comerciantes da feirinha paralela da Praça de Casa Forte, recebemos notificação da Prefeitura de que aquela seria a última edição do evento gastronômico que ocorre todo sábado de manhã, adjacente à feira agroecológica, há mais de oito anos”.

Eles dizem que o motivo alegado para a notificação é “muito vago” e criticam o fato de ser desconhecido que a feirinha paralela contribui para “difusão de nossa cultura culinária” . Reconhecem que a feirinha cresceu espontaneamente e, portanto, fora da padronização. Alegam que um projeto de ordenamento seria muito recebido pela comunidade dos comerciantes. Dizem que estão “cem por cento comprometidos em contribuir no que fosse necessário para a adequação da nossa feirinha à Praça, caso a prefeitura desejasse iniciar um  projeto assim”. Acusam a Prefeitura de, ao invés de “remediar eventuais inconvenientes” atua “de forma intempestiva”. A expectativa é grande para hoje, pois no comunicado, a Prefeitura informa que o material de venda e exposição será apreendido e caso de desrespeito. O #OxeRecife não conseguiu se comunicar com a assessoria da Secretaria de Mobilidade e Controle Urbano. Estive de manhã na feira, e soube que a decisão da Prefeitura foi adiada.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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