Comer lagosta ovada é não ter coração

No início deste ano, estive em Cartagena, na Colômbia. E me deu um frio na espinha, quando me servi de algumas lagostas, que me foram ofertadas na Água Azul, aprazível praia do Caribe. Estavam todas ovadas. Agora, olhem bem para a foto acima. Vejam só que absurdo! Quantos crustáceos deixaram de repovoar o mar, por causa dessa captura criminosa? Essa vítima aí é daqui mesmo do Brasil. Ou melhor, no Recife. Estamos em tempo de defeso até o dia 31 de maio e, portanto, a lagosta (ovada ou não) não poderia estar sendo pescada. Por esse motivo, trinta e dois quilos de lagosta vermelha (Panulirus argus) foram apreendidos na manhã desta quinta-feira (17).

A apreensão foi um boxe (pescaria) de Brasília Teimosa, na Zona Sul do Recife, numa ação realizada em parceria pela Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) e Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma), da Polícia Militar.  Foi aplicada uma multa de R$ 5.660,00 ao responsável pelo estabelecimento, que também está sujeito a processo judicial por crime ambiental.  O mesmo foi conduzido no final da manhã à Polícia Federal pelos agentes policiais da Cipoma. Duas das lagostas encontradas congeladas  estavam ovadas. A apreensão será doada a instituição carente.

A Cprh lembra Instrução Normativa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), segundo a qual o período de defeso das lagostas vai de 1º de dezembro a 31 de maio, período em que a pesca (profissional ou amadora) fica proibida. A multa pela captura, transporte ou comercialização irregular varia de R$ 700 a R$ 100 mil, com acréscimo de R$ 20 por quilograma de pescado apreendido. Os estabelecimentos que trabalham com o crustáceo devem apresentar declaração de estoque (para provar que a captura foi efetuada antes do período de defeso).

Leia também:
Evite comer crustáceos ovados
População na defesa dos caranguejos
Proibido  comer guaiamum

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Cprh/ Divulgação

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *