Náutico, timbu e Rio Capibaribe

Não vivo em estádio, mas gosto – e muito – de saber a história de times de futebol. E também as curiosidades, os times folclóricos ou batalhadores (como o íbis e o Carcará), os torcedores fanáticos, que atuam por amor aos seus clubes, longe de torcidas organizadas, geralmente associadas a atos violentos. Na Copa do Mundo de 2014, em Pernambuco, tive que fazer algumas incursões nessas áreas, inclusive visitando treinadores anônimos, que fazem da atividade uma forma de resgate social de crianças em situação de risco.

Na semana que passou, o Olha! Recife (programa de sensibilização turística da Prefeitura) ofereceu roteiros que incluíam locais que deram origem a dois dos mais populares times de futebol de Pernambuco: o Náutico e o Santa Cruz. Passando, portanto, pela Rua da Aurora, onde a prática do remo era comum nos séculos passados,  tendo sido os remadores que fundaram o Clube Náutico Capibaribe. E também estivemos no Pátio de Santa Cruz, onde surgiu o tricolor. O Náutico, para os que não sabem, existia – na prática – desde 1898, quando grupos adversários de remadores decidiram unir forças, criando uma só sociedade.

Placa no Pátio de Santa Cruz conta história do time tricolor. Santa Cruz e Náutico foram tema do Olha! Recife

No entanto, o Náutico foi oficialmente fundado em 1901, sendo que em 1905, o time estreava em campo. Só que seus primórdios são ainda mais antigos, porque em 1897, um grupo de remadores participou de festejos em homenagem a tropas pernambucanas que voltavam de Canudos, onde lutaram contra os fanáticos que eram liderados por Antônio Conselheiro. No dia 21 de novembro de 1897, eles fizeram aquela regata  que lhes daria maior visibilidade. Me relatou certa vez, o historiador Celso Cordeiro, que o mascote timbu do Náutico não surgiu do nada. O time jogava no campo do Derby, quando começou a perder. Preocupado, o técnico deu cachaça aos atletas, durante o intervalo, para “esquentar” os jogadores. A turma jogou movida a álcool, mas ganhou o jogo. Durante a partida, a torcida adversária xingava os jogadores de timbus. O nome pegou, e o timbu virou o símbolo da torcida alvirrubra.

Já o Santa Cruz, digamos assim, é dos três maiores times de Pernambuco o de origem mais popular. E também o primeiro a incluir homens da raça negra  entre seus jogadores. A origem do tricolor está registrada em placa da campanha História nas Paredes, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco. “No dia 3 de fevereiro de 1914, nestas imediações, na então Rua Mangabeira, 11 rapazes  se reuniram e fundaram o Santa Cruz Futebol Clube, com as cores preto e branco, que logo ganhou o encarnado. As três cores caracterizam até hoje o time das multidões, com gloriosa trajetória no futebol brasileiro”, explica o acadêmico José Nivaldo Júnior, na placa. Seria bom que o Olha! Recife fizesse um passeio, também, pela história de outros times pernambucanos, como Sport, o saudoso América e o Íbis, com seu pássaro negro e sua impagável história de fracassos.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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