“Lisbela e o Prisioneiro” está de volta

Um dos maiores sucessos do teatro e do cinema brasileiros e que terminou virando nome de bar no Recife, a peça Lisbela e o Prisioneiro está de volta. Dessa vez ao palco do Teatro Apolo, nos dias 11 e 12 de maio.  A encenação é do grupo Cobogó das Artes, que faz sua estreia nos palcos recifenses. Publicada há 60 anos pelo escritor Osman Lins,  pai desta que vos fala, Lisbela chegou ao grande público por meio da televisão (1993) e do cinema (2003), sob a direção do também pernambucano Guel Arraes. Posteriormente o diretor levou a peça para o teatro.

O escritor – autor de obras primas como Nove, Novena e Avalovara – faleceu em 1978, sem ver o estouro de Lisbela. A peça, no entanto, já havia sido encenada no Rio de Janeiro, por uma das mais bem sucedidas companhias do teatro brasileiro, a Tônia-Celi-Autran. No elenco, Tônia Carrero e Paulo Autran. A peça recebeu, no final da década de 1950, o Prêmio Saci, na época o mais importante conferido ao teatro no Brasil. Depois, ganharia o palco, em São Paulo.  Dessa vez, Lisbela vem recriada pelo projeto social Cobogó das Artes, capitaneado pelo cineasta Adriano Portela (diretor do longa-metragem Recife Assombrado – em finalização).

E chega com adaptação para a contemporaneidade, levantando questões como o feminismo e o preconceito, temáticas pouco exploradas na época da publicação da peça, segundo informa a produção. “Para se ter uma ideia, as mulheres são quem mandam em cena. Quase todas as personagens são mulheres. Por exemplo, em vez do delegado é uma delegada, no lugar de um carcereiro temos “uma carcereira”, e tem até mulher desempenhando papel de homem. Independente da personagem, elas dominam o palco”, pontua Portela, referindo-se à mais recente encenação de Lisbela.

Nesse clima de mostrar a presença feminina, uma personagem presta homenagem a uma figura considerada “de força” pela produção em Pernambuco: a delegada Gleide Ângelo. “Estamos tratando tudo com muito respeito e humor e ao mesmo tempo aproveitando para valorizar uma pessoa que tanto vem lutando pelos direitos das mulheres”, afirma Rafaela Quintino, a diretora do espetáculo.    A Cobogó das Artes é um projeto social de Portela, que marca sua estreia nos palcos recifenses justamente com Lisbela.

À frente da Portela Produções e em finalização com o seu primeiro longa-metragem, Portela resolveu ocupar a casa que foi dos seus avós e transformá-la num ponto de cultura na periferia. A Cobogó oferece oficinas gratuitas das mais diversas modalidades artísticas e os cursos mais duradouros funcionam com preço abaixo do mercado. “Para o curso de teatro, por exemplo, cobramos uma mensalidade simbólica, porque além da manutenção do espaço a verba é toda investida na produção do espetáculo, desde a pauta do teatro a figurino, plano de luz, entre outras despesas”, diz. “É uma forma de incluir a comunidade no meio artístico”, acrescenta o jovem produtor cultural. Muito bacana, ver essa meninada produzindo cultura.

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Serviço:
O quê: Lisbela e o Prisioneiro
Onde: Teatro Apolo
Quando: Dias 11 e 12 de maio
Horário: 19h
Ingressos: R$ 15 e R$ 30

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Cobogó das Artes

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