Gelos baianos invadem as calçadas

O Recife tem umas coisas que ninguém entende. E que nem urbanistas nem a população conseguem explicar. Mas talvez os nossos planejadores tenham alguma coisa a dizer. Vejam que inversão de prioridades. Calçadas são para pedestres, certo? A resposta seria sim. Mas na nossa cidade, infelizmente, a  resposta é não. É que há muitas calçadas, nas quais a prioridade é para os postes e não para as pessoas, como vocês podem observar na foto acima.

Tenho visto esse problema com muita frequência,  nas calçadas do Recife. Como se não bastassem os buracos, os desnivelamentos, as pedras soltas, a gente ainda encontra os famigerados gelos baianos protegendo sabem quem? Os postes. Se esses monstros amarelos já embrutecem a paisagem do Recife no meio de ruas e avenidas, imaginem só sobre os espaços que deveriam ser os meus, os seus, os nossos e de todos aqueles que os utilizam para se locomover.

Estas cenas são comuns até em bairros centrais, como Boa Vista e Soledade: gelos protegem postes. E o pedestre?

E quem não usa as calçadas? São por elas que a gente devia andar com tranquilidade, sem medo de cair nem sofrer risco em meio ao trânsito maluco do asfalto. Pois o que tenho visto é muito gelo baiano – e são gigantescos – protegendo postes. Ficam em esquinas, em ruas movimentadas e, muitas vezes, impedem completamente o acesso de pessoas comuns. E é “normal” (grifo meu), que não deixem nenhum, mas nenhum espaço mesmo para para cadeirantes, obrigados a circularem pelo asfalto, entre os carros, arriscando suas vidas. Nos últimos três dias, durante o feriadão, me deparei com esses monstrengos em vários pontos da cidade, durante minhas caminhadas.

E os vi tanto no centro (em bairros como Boa Vista e Soledade), como em vários pontos da Avenida Recife , na Estrada do Encanamento (quase na esquina com a Rua da Harmonia), na Avenida Dezessete de Agosto (defronte da Praça de Casa Forte). Também já tinha observado, há algum tempo, um “depósito” deles sobre uma calçada da Rua Nova, cuja exposição nada contribui para restaurar o glamour que aquela via teve no passado. Quem será o responsável pela colocação de gelos baianos nas calçadas: Celpe, Cttu, Emlurb? Quem, finalmente, é o coordenador dessa “distribuição,” que só faz detonar ainda mais  paisagem da cidade para proteger os postes?  Que lei permite que pedras sejam mais importantes que pessoas? A fiscalização nas calçadas cabe ao poder público municipal. Cabe apenas perguntar: Por que os gelos baianos do asfalto estão subindo as calçadas? Onde isso vai parar? Alô, alô Cttu, alô, alô Emlurb. É assim mesmo, é? Oxe, Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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