Sem obras paradas nem fantasmas

Mais algumas informações sobre a disseminação das cisternas que servem para armazenar água para que o sertanejo enfrente sem sede as estiagens. É que o Programa 1 Milhão de Cisternas, disseminado pela Articulação do Semiárido – ASA Brasil já não se restringe a garantir a oferta d´água apenas para o consumo doméstico. Na esteira do P1MC surgiram outras iniciativas que ajudam não só a população a conviver com as estiagens, como também a produzir alimentos no Semiárido. Apesar das secas.

Quando trabalhava como repórter, convivi muito com essas experiências, que considerava bem interessantes, pois mesmo com o clima inóspito do Sertão, vi muita gente alegre produzindo, comendo o que plantava. Mas a primeira coisa que me chamou a atenção é que não vi obra de cisterna parada, como ocorre com os açudes, as barragens, as represas e adutoras construídas pelos governos, sejam estaduais ou federais. Outra coisa: obra fantasma, nem pensar. Todas as cisternas (como a da foto), possuem  registro fotográfico, numeração, endereço do sítio, nome do dono.

Ou seja, dados que comprovem sua existência. Essa é uma forma de ratificar a aplicação do recurso e o trabalho concluído. A construção de cisternas permitiu a formação profissional de 10.340 cisterneiros. Depois das cisternas domésticas do P1MC, a ASA já deflagrou outras iniciativas como as Cisternas Escolares, o Programa Duas Águas (P1+2) e o Programa Sementes do Semiárido. No primeiro, são construídas cisternas maiores, para garantir água às crianças de colégios em áreas rurais, durante a época de seca. Já o P1+2, consiste em construção de uma segunda cisterna (além da doméstica), que garanta água para irrigar plantios e matar a sede do gado.

Por fim, o Sementes do Semiárido tem tudo a ver com a sustentabilidade. É que normalmente os programas oficiais de distribuição de sementes chegam com grãos padronizados e, muitas vezes, já cheios de defensivos.  Envenenados mesmo. Já entrevistei muitos agricultores que se queixavam da falta de adaptação desses sementes padronizadas aos seus sítios. E também colhi relatos de casos de intoxicação.  O Sementes do Semiárido visa a produção de sementes crioulas (nativas), através de bancos de sementes que garantem preservação do patrimônio genético dessas plantas. Os bancos repassam essas sementes para os agricultores do Semiárido, para o plantio. Em compensação, eles entregam uma parte da produção ao banco. “Sem  veneno”, como eles costumam lembrar. E viva a sustentabilidade, no Dia Nacional da Caatinga, o bioma brasileiro que é único no mundo. Só tem aqui. E no Nordeste.

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Texto:  Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Manuela Cavadas/ Divulgação/ ASA

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