Há risco de tubarão em mar protegido?

Infelizmente fechamos a semana com mais uma tragédia, envolvendo ataque de tubarão, fenômeno que inclui o Recife entre dez dos pontos de maior incidência desse tipo de incidente no mundo. Há, também, praias de ataques frequentes nos Estados Unidos (Flórida e Califórnia), África do Sul, Mauí, Egito e Austrália. Mas acredito que a taxa de mortalidade – 37 por cento, que é a observada entre as pessoas atacadas em Pernambuco – seja uma das mais altas nos países afetados por aquele tipo de problema.

Ataque de tubarão, principalmente em Piedade, não é novidade. Eu era criança, veraneava em Piedade, e, naquela época, já se falava em incidentes com o peixe, defronte da igrejinha. Inclusive lembro do caso de um padre, que teria sido atacado e desapareceu no mar. No Recife  – nas praias do Pina e Boa Viagem – a recomendação que qualquer pessoa deve seguir é de não se banhar em área de mar aberto. Uma faixa de risco, por exemplo, fica em frente ao Edifício Castelinho, onde não há arrecifes. Ali, vejo muitos banhistas dando trabalho aos salva-vidas do Corpo de Bombeiros. Eles avisam do perigo, mas há pessoas que fazem ouvido de mercador. E é gente do Recife mesmo.

Área em frente ao Edifício Castelinho é de mar aberto, e banho deve ser evitado, para prevenir ataque de tubarão.

Já vi bombeiro entrar no mar, arriscando-se para retirar banhista afoito, que não obedeceu aos chamados para sair da água. Mas no caso de pessoas de fora, há muitos turistas que não distinguem o mar aberto do mar protegido. Por esse motivo, acredito que as placas de advertência do risco de ataque deveriam explicar essa diferença. Como frequento muito Boa Viagem, já estou cansada de ver visitantes – principalmente de Minas Gerais, do interior, de São Paulo ou Portugal – sem saber fazer a distinção, tanto em uma situação quanto em outra. “Aqui tem risco de tubarão”?, é o que perguntam, sempre, não importando que estejam  em trecho com ou sem proteção.

Em Piedade, que fica em Jaboatão dos Guararapes, a área onde ocorreu o ataque é de mar aberto.  E ali, o risco é realmente imenso. O perigo é tanto devido a essa característica que é no local que se concentra o maior percentual de ataques ocorridos na extensão dos 32 quilômetros de risco de investidas do peixe no litoral pernambucano. Banho de mar, na Região Metropolitana, tem que ser assim: em área de mar protegido por arrecifes, o que não é difícil de encontrar nas praias de Boa Viagem e Pina (Recife), ou em Jaboatão e Olinda. O #OxeRecife torce por Pablo Diego Inácio de Melo, 34, natural do Rio Grande do Norte, a vítima mais recente do fenômeno. Será que as mensagens sobre os tubarões estão claras nas placas para os forasteiros? Talvez falte explicar a eles a diferença entre o mar protegido e o mar aberto, entre a maré baixa e a maré cheia. E essa diferença é fundamental, para quem deseja um lazer sem perigo na praia.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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