Loucos por praia

Pensem em uma pessoa desorientada… Sempre acontece, quando o domingo amanhece chuvoso. Eis o dilema: ir ou não à praia. Olho o tempo pela janela da frente de minha casa, muito, mas muito nublado. Aí vou para os fundos, e observo na janela de trás que lá para as bandas da Zona Sul, o céu está limpando. Meu “termômetro” é a luz atravessando as folhas das árvores do sítio vizinho. Será que vale a pena o longo caminho da Zona Norte à Zona Sul do Recife? Vale. Vale sim.

Já amanheci o dia, como sempre faço, com roupa de banho. Lembro que a maré está na baixa mar por volta das nove. Penso que é melhor se molhar caminhando na praia do que com roupa, pelas ruas do meu bairro. Então, resolvo ir. Mesmo com a BR 101 em obras, com prováveis alagamentos nas ruas. Chego em Boa Viagem, o maior deserto. Quase ninguém. Nem mesmo a bandeira da Romênia, muito usada pelo meu barraqueiro, Edmilson, para orientar os turistas daquele país, que costumavam se confundir na praia.

Descubro que ele não deu as caras na praia no domingo. Então, vou caminhar com a mochila, coisa que detesto. Mas… deixar com quem? Se nem o barraqueiro apareceu. A praia, assim mesmo, sem sol, estava deliciosa. Aos poucos, vou encontrando aqueles que, como eu, são loucos por praia. Dou minha caminhada, na volta sento no barraqueiro vizinho ao que sempre fico, peço um coco, e começo a ler o meu livrinho, com o tempo nublado. Ouço alguém dizendo: “Cheguei”. É o Edmilson, que com o sol, decidiu abrir o seu negócio.

Lá para as dez, o sol segura. Em um minuto, a praia de Boa Viagem enche, vira festa. Os guarda-sóis desabrocham na areia, como flores. Ciclistas que tiram selfies em um arrecife, em frente ao Acaiaca.  Logo em seguida, começam a deixar a areia, quando a praia muda, enche de gente. De repente, os vendedores – sorvete, óculos, bronzeador, bijuteria – aparecem. Vou dar um mergulho, o mar está uma delícia. Muita conversa, com os loucos por praia, que não abrem mão do banho de mar. Nem mesmo na chuva. Na volta, não posso beber a água que sobrou do meu coco. Um pombo estava fazendo a festa no fruto, que ficou em cima da mesinha, sob a sombra. Pombo sacana, comendo meu coco sem pedir permissão…. Agora, vou deixar sempre coberto com um paninho.

Leia também: 
Não é que deu praia hoje…
Na praia: “Não é espuma… é gelo”

Represa cheia vira “praia” no Sertão
Boa Viagem divina hoje
“Me chama de lagartixa”

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *