A herança do arboricídio (3)

Estão vendo essa mancha cinzenta, aí nessa calçada?  Neste lugar tinha uma árvore, que sofreu um processo de degola. Ficaram só o tronco e os galhos. Folha que é bom… nada. Resultado, ela morreu. Seu acaso foi registrado aqui no post Parem de Derrubar Árvores  (18). Ela fica quase em frente a um salão de beleza, cuja proprietária, Cristina Soares, chegou a telefonar várias vezes, pedindo socorro aos órgãos públicos, já que a planta tinha uma praga.

“Conheço a doença, porque tive uma árvore, na minha casa, no município de Jaboatão que enfrentou problema semelhante”, conta. “Era preciso tratá-la, para que sobrevivesse”, diz.  Mas o que houve foi uma “poda radical, mutilação absurda”, como registrei no ano passado. O que sobrou foi um toco gigante, que há alguns dias terminou sendo erradicado. No local onde tinha um canteiro, o que há é isso daí: cimento, concreto. São fatos assim que contribuem para tornar nossa cidade mais árida.

O padecimento dessa ´arvore, na Gomes Coutinho, Tamarineira, foi registrado aqui no #OxeRecife: menos duas.

Segundo me informaram, o cimento foi colocado por um morador da rua, a Gomes Coutinho, já que os canteiros viram depósito de lixo, quando as árvores são mortas ou retiradas. Vejam aquele, lá atrás. Ali tinha uma árvore, que foi degolada, cujo tronco virou um toquinho e em cujo canteiro, agora, só tem lixo. Aliás, a Estrada do Arraial e as vias secundárias estão cheias, mas cheias, de exemplos assim, em bairros da Zona Norte, como Casa Amarela, Tamarineira, Casa Forte, Poço da Panela, Parnamirim.

Como avisei antes, em 2018, o #OxeRecife não vai se limitar ao registro de árvores degoladas, mutiladas, erradicadas, assassinadas. Vai, também, dar notícia do que aconteceu com elas. E até agora, o que tenho observado não é reposição. Mas sim cimento, lixo, acúmulo de pó de serra nos locais onde estavam as vítimas do arboricídio. O que vale é que a população começa e se conscientizar dessa má ação da motosserra insana. E já tem gente plantando   árvores nas ruas. “Vamos fazer uma frente, Recife Verde. Seria legal organizar os tipos de árvores e setorizar as atuações”, afirma o leitor João Cavalcanti. Ele indaga se há iniciativas assim, no Recife. “Caso não haja, planto aqui essa semente. Seria uma maneira de resistência e uma forma de deixar nossa cidade mais verde”, diz ele.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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