Alunos de Redação de Sidney Nicéas foram à Academia para ouvir o escritor.

Livros e Academia mobilizam escolas

Estive na sede da Academia Pernambucana de Letras, na tarde do último sábado, para acompanhar mais uma edição do projeto Roda de Conversas, coordenado pelo escritor Cícero Belmar, e que pretende não só dar conhecimento maior à produção literária do Recife como também aproximar os jovens da aparentemente sisuda APL.  Digo aparentemente, porque  sisuda, a APL não é. Ou, pelo menos, deixou de ser. Foi uma tarde muito descontraída e instrutiva. Estava à espera do escritor Sidney Nicéas (o convidado do dia), quando estaciona um ônibus na Avenida Malaquias, ao lado da APL. Eram quase 40 estudantes da Escola Estadual Tabajara, de Olinda, que foram não só conhecer aquele belo prédio como assistir à palestra do autor, cuja obra tem grande penetração entre o público jovem.

Vejam que coisa bacana. Professores e coordenadores utilizam a tarde de um sábado para levar um conhecimento literário maior à estudantada, boa parte em preparação para o Enem. Entre os alunos, havia aqueles que estão concluindo o ensino médio e também alguns do EJA (educação para jovens e adultos). Capitaneados pelos educadores José da Silva, Carla Carolina Belarmino da Silva e Suely Cristina de Araújo, a meninada participou do debate, fez perguntas e ainda aproveitou o final de tarde para percorrer as instalações daquela bela edificação onde funciona hoje a APL. De quebra, tiveram direito a conhecer, ao vivo, personagem de um dos próximos livros de Sidney, que será inspirado em um drama real.

Os estudantes receberam cestas de livros, para escolher os títulos que lhes interessassem. Até eu, como público, tive direito a volume, e escolhi um de Mário Sette.  Lá, soube de outra coisa boa: Sidney, o escritor, atua como voluntário, dando aulas de redação aos jovens que vão se submeter ao Enem. Mas não é só ele. Outros voluntários também participam de aulões mensais do Enem. São eles: Eduardo Tadeu (História), Marcos Capela (Português) e Alberto Manoel (Matemática). Na nossa cidade, há iniciativas interessantes, voltadas para a produção de livros. Uma delas é o Projeto Interagindo com a história do seu bairro, executado pelo Programa Manuel Bandeira de Formação de Leitores do Recife, através do qual já foram produzidos 20 livros artesanais sobre a história de 20 bairros da cidade. É um belo programa, infelizmente não muito valorizado pelo poder público municipal. Os livros estão em vias de publicação pela Fundação Joaquim Nabuco, que é um órgão federal.

Em todo caso, na última sexta-feira, a Prefeitura lançou o Projeto Proler – Obras Literárias,  que deverá viabilizar a distribuição de 290.970 livros para os estudantes da educação infantil e anos iniciais (primeiro ao quinto). O projeto tem por objetivo estimular a prática de leitura e a produção de textos. Serão beneficiados 51.679 alunos. De acordo com a Secretaria de Educação do Recife, o Proler é um “programa onde as crianças começam a ter contato com a leitura já aos 4 anos, com base em métodos que estimulam a criatividade e a autoria dos estudantes para desenvolver habilidades de leitura e escrita”. De acordo com a Prefeitura, a distribuição de livros resulta de parceria com a Imeph. Deve ser por conta dessa parceria que apenas uma editora – no caso a  própria Imeph (que fica em Fortaleza) – participa do Proler. E aí fica a pergunta: Será que uma só editora, atende às necessidades de um público tão amplo? Com a palavra, a Secretaria de Educação do Recife.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife  

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