Sérgio: seis horas para salvar sagui

Bicho ainda muito comum nas nossas matas e até mesmo em áreas urbanas – chegam a invadir cozinhas em busca de comida, pelo menos no meu bairro – os saguis têm mania de andar na rede elétrica. De vez em quando, morre um, eletrocutado em Apipucos, onde  resido, na Zona Norte do Recife. Nessa semana, um indivíduo da espécie – sagui-de-tufo-branco (Callitrix jacchus) – sofreu um choque em um poste de alta tensão, próximo à Arena Pernambuco, no município de São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana. Mas teve sorte de encontrar uma alma boa. No caso, o biólogo Sérgio Correia, que providenciou atendimento para o animalzinho. E penou, para conseguir. Gastou seis horas, entre a peregrinação com o acidentando e o socorro veterinário.

O acidente foi na terça-feira. O sagui teve exposição óssea na mão direita, e está em recuperação, no Centro de Triagem de Animais Silvestres de Pernambuco (Cetas Tangara), da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH).  Sérgio atua em projeto de reflorestamento em área de mata por trás da Arena Pernambuco. Estava trabalhando na produção de mudas de ipês, quando ouviu um barulho provocado por animais de médio porte, os quais não chegou a identificar. O barulho assustou os saguis. Como andam sempre em grupos, os animais fugiram para a mata. Mas um deles subiu em poste de alta tensão, terminou levando choque, e caindo no chão, com queimaduras graves.

O biólogo Sérgio Correia deixou por seis horas seus afazeres, para salvar sagui que sofreu queimadura em poste.

“Ele teve as mãos dilaceradas”, contou Sérgio, que enrolou o sagui em um pano e o colocou numa caixa apropriada, partindo na sua moto para o Horto de Dois Irmãos, onde soube que ali não havia atendimento para esse tipo de acidente. Preocupado com o sofrimento do animal,  ele seguiu para o Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que também fica em Dois Irmãos. Ali, houve resistência dos profissionais em atender ao sagui, alegando que a prioridade era para animais domésticos.  “Tive que criar confusão para forçar o atendimento, pois não estava suportando ver o sofrimento do animal”, contou Sérgio ao #OxeRecife.

Ele só saiu do Hospital, depois que o animal recebeu os cuidados necessários. “Tomei a iniciativa como ser humano, como biólogo e como cidadão. O sagui precisava ser atendido com urgência. Mas agora estou mais tranquilo, sabendo que ele está em melhores condições”, disse, após fazer a entrega do primata ao Cetas Tangara, no bairro da Guabiraba, no Recife.  Na tarde da quarta-feira, o sagui teve o braço amputado, no Cetas. Ele passou por avaliação, e foi constatado que o braço não tinha chance de recuperação, além de estar infectado. Segundo o Cetas, outros animais da mesma espécie já passaram por procedimento semelhante e se readaptaram à vida silvestre. Não é a primeira vez que o biólogo socorre animal acidentado. Já recolheu um tamanduá ferido em rodovia no bairro no município sertanejo de Ibimirim, a 339 quilômetros do Recife. E também um macaco prego, em Água Preta, na Mata Sul, a 130 quilômetros da capital. O #OxeRecife dá nota dez a pessoas que, como Sérgio, salvam bichinhos do sofrimento e da morte. Por isso, Sérgio virou quem aqui no #OxeRecife.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Divulgação

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2 comentários

  1. Parabéns pela ação de solidariedade com o animal e só blog pela divulgação e estímulo para que outras pessoas tenham essa atitude. De salvar um animal Silvestre e de não matar o animal.

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