Selo para as “Amigas do Capibaribe”

São dez, os “mandamentos”  da Carta de Compromissos com `Princípios Para Proteção das Águas da Bacia do Capibaribe, sendo que 19 dos 42 municípios banhados pelo nosso “Cão sem Plumas” (como o chamou o poeta João Cabral de Melo Neto), já subscreveram o documento. O Recife, até a última quinta-feira, ainda não o havia feito. Esperamos, no entanto, que a Capital se engaje oficialmente à luta por esse patrimônio que a natureza nos deu e que é um símbolo da nossa Capital. Afinal, o que seria do Recife sem esse rio e sem suas pontes? Com certeza, não seria o Recife.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Capibaribe esperava a adesão dos 42 municípios até 22 de março, Dia Internacional da Água. Mas o prazo foi prorrogado, e a Carta será homologada no mês de abril, durante a realização do Congresso da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe). Ou seja, até lá, as Prefeituras que não ratificaram compromisso com ações que melhorem a vida do nosso rio, poderão fazê-lo. O Recife, inclusive. ”Estamos convidando todos os prefeitos da Bacia por uma gestão mais sustentável do Capibaribe”, afirma o Presidente do Comitê. Alexandre Ramos. “Infelizmente, ainda temos pelo menos uns 20 lixões funcionando na região”, reclama ele.

Os lixões são aqueles depósitos insalubres de detritos ao ar livre que, com o seu chorume, contaminam o solo, o lençol freático, os rios próximos e até o mar. Já estão proibidos, mas infelizmente ainda continuam poluindo em boa parte de Pernambuco. Além disso, o Capibaribe permanece recebendo uma descarga descomunal de esgoto doméstico não só no interior como na Região Metropolitana, onde pouco mais de 30 por cento dos domicílios contam com serviço de saneamento. “O Rio Capibaribe fede em todo o seu curso”, comenta Alexandre. “Ao longo do seu caminho, vai sofrendo processo natural de despoluição, mas a situação se agrava muito quando chega perto dos núcleos urbanos”.

Alexandre informa, ainda, que a proximidade com o mar é que salva a situação, porque a cada maré cheia o Capibaribe é “lavado” pelo Oceano. Para ele, mais do que descartes industriais, o despejo de esgoto é o maior problema do Rio. Mas a população também não zela pelo Rio, lhe atirando todo tipo de lixo. Por esse motivo, duas das ações de compromisso da Carta são a educação ambiental e   “fortalecer o envolvimento do município nas ações de saneamento e prevenção de desastres naturais, bem como o uso racional dos recursos hídricos”. Sim, tem mais uma novidade. Está sendo instituído o selo “Prefeitura Amiga do Capibaribe”, para a gestão municipal que cumprir pelo menos três dos dez “mandamentos” da Carta.  A instituição do prêmio será anunciada, também, no Congresso da Amupe, que ocorre entre os dias 5 e 6 de abril, no Centro de Convenções, em Olinda.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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