Futuro das usurpações urbanas

Andar pelas calçadas do Recife virou manobra de risco. Além da buraqueira que termina rendendo quedas, pés quebrados e prejuízos – físicos e financeiros – o pedestre tem que tomar cuidado, para não ser atropelado. É que há lugares onde elas nem existem. Ou melhor: o espaço que deveria ser de quem anda a pé foi tomado por construções ou virou asfalto para os carros.

E não é preciso ir muito longe para ver isso. Acontece nas áreas mais nobres da cidade, onde o metro quadrado é tão caro quanto o de um apartamento em Boa Viagem, na Zona Sul.  É só andar, como faço sempre para se constatar isso. Um dos exemplos é o que ocorre nas imediações do Parque da Jaqueira. Vejam só alguns exemplos, como estes nas fotos abaixo, na Rua do Futuro, bairro das Graças, Zona Norte do Recife.

 

Na esquina da Rua 12 de outubro com a Futuro, como vocês observam, a calçada desapareceu. O meio fio é rente à construção, ao lado desta casa, onde funcionava uma loja de sapatos (agora fechada). Caminhando-se no sentido subúrbio cidade, encontra-se um estacionamento que toma o espaço do pedestre.

Um pouco mais à frente, uma calçada estreita, que não pode ser utilizada por cadeirante. Lá na frente, um poste no caminho. Um muro avança até a calçada, sem deixar espaço para ninguém. Além disso, os moradores não ajudam na limpeza, e a pessoa tem que ter o maior cuidado do mundo, para não pisar em porcaria de cachorro, que ali tem em toda calçada. Uma verdadeira falta de cidadania. Aliás, em termos de sujeira canina, a Futuro é campeã, segundo reconhecem até mesmo os garis.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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