Praia, sargaço e poluição sonora

Boa Viagem hoje estava assim. A gente chegava na praia, ali à altura da Rua Ribeiro de Brito, olhava para a esquerda, e só via uma mancha escura. Calma, gente. Não era derrame de óleo, nem tinta, nem poluição proveniente de despejo industrial. Era sargaço mesmo. Como a maré era vazante, à medida que a água recuava, a areia ficava coberta pelas algas. E reforçava o cheiro de maresia. Melhor assim. Pior é cheiro de vinhoto, esgoto, coisa podre.

Mas tinha muita gente reclamando. “Cadê a prefeitura e a Emlurb, que não limpam essa sujeira?”, reclamava uma banhista ao meu lado, cujo nome não perguntei. Sinceramente, confesso que não sei qual é o procedimento. Se é para deixar o sargaço na areia, e esperar que o mar leve. Ou se o correto deveria ser recolher tudo.  Uma vez vi um japonês com um balde catando essas plantas escuras. Ele disse que era para adubar os coqueiros de sua casa (não perguntei em que lugar). O fato é que a presença daquelas algas flutuantes incomoda os banhistas, quando estão na água. E quando se acumulam na areia, o temor é a pessoa pisar em um caco de vidro, prego, essas coisas que gente sem noção deixa na areia.

Boa Viagem teve manhã de contraste com trechos limpos e outros tomados por camada de sargaço, cães e barulho.

Minha decisão foi simples. Ao invés de ficar no barraqueiro de sempre (Edmilson), mudei para uma do lado (Janine), cem metros depois. E a areia estava limpa, o mar cristalino, a água com ondas suaves, aquelas da maré vazante, que até parecem uma banheira gigante de hidromassagem. O problema, no entanto, não era o sargaço, do qual eu me distanciara. Mas sim a poluição sonora. Banhistas agora deram para ligar o celular, botar o bluetooth no banquinho ou em cima da mesa, para amplificar o som. E haja paciência. Só dá MC (do pior que tem), um bregas horríveis e um forrós totalmente sem graça.

Quando subi perto do asfalto para pagar minha água de coco, aí o desastre era maior. A própria barraqueira com um som tamanho de um bonde, com músicas de gosto duvidoso na mesma proporção do barulho que fazia. Não sei se é preconceito, mas o fato é que o que ouvi hoje doeu nos meus ouvidos. Resultado: saí de lá às nove. Com as obras da BR-101 (pelo menos, estão trabalhando aos domingos), gastei uma hora e dez minutos para chegar em Apipucos, onde resido. É muita sede de sol e mar. Pena que do jeito que a poluição sonora está, daqui a pouco não teremos direito de ouvir mais o murmúrio das ondas do  oceano. Cadê os órgãos fiscalizadores? No calçadão, já está tudo limpo (sem carroças, carros, motos). Mas falta, ainda, disciplinar a areia da praia. Tem cachorro andando (o que é proibido), fogareiro para fazer comida (o que também é proibido) e ambulante jogando lixo na areia (sem ser punido). Oxe, Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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4 comentários

  1. Realmente quando não gostamos de algo isso muito nos encomoda porém eu quando me encontro nesta situação sempre uso o bom senso e aplico a máxima que os incomodados que se mudem quero deixar claro que isso é o que eu adoro para que eu me aproveite o passeio sem estresse e outra dica quanto mais cedo mais tranquilo e se nada disso for suficiente existem praias mais distantes mais tranquilas e sem barrulho afinal não é possível ter tudo fica a dica…

    1. Verdade, Marcos. Por esse motivo, saí da praia hoje antes das 10h. Mas acho que as pessoas deviam se conscientizar e ter educação. Quer ouvir música? Bota o som baixinho ou usa fone de ouvido. O direito do cidadão termina onde começa o do vizinho, não é mesmo?

    1. Não acho não. Além disso, Itamaracá sempre engarrafa na ponte. E eu adoro Boa Viagem. Itamaracá tem andando bem sujinha, fruto da eterna falta de cuidado dos prefeitos com a Ilha.

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