Que saudade da Rua Nova!

Que saudade da Rua Nova. Quem não lembra das vendedoras, chiquérrimas, da Casa Sloper, que no Recife a gente chamava de Silôper? E que estranhávamos, quando visitávamos o Rio, e ouvíamos os cariocas pronunciando o nome da então famosa loja de outro jeito, Eslôper? Lembro-me de suas vitrines como as mais bonitas do Recife, das vendedoras fardadas, maquiadas e de sapatos pretos e altos.

“Realmente, a loja era muito sofisticada, e havia gente que  até tinha medo de entrar, achando que tudo era muito caro, mas as mercadorias nem eram tão caras assim”, recorda a esteticista Maria das Neves, que trabalhou na Sloper por um longo tempo, a serviço da Dorit Grey, na época uma fábrica de cosméticos. “Meu contrato foi feito diretamente com o Rio e, naqueles tempos, almoçávamos sempre no Restaurante Leite, porque a empresa pagava nossas refeições”, recorda Nevinha, que hoje trabalha no Gabinete de Estética Aládia Neves, na Tamarineira.

Essa esquina – da Rua Nova com a da Palma – era a mais sofisticada do Recife, onde ficavam  Sloper e a Viana Leal

Ela lembra de lanchonetes que sumiram – como a Estoril, Confiança, Casa Matos (que vendia tecidos, mas tinha uma casa de lanches). “A Casa Matos tinha uma cartola das três da tarde, que era imperdível”, diz. Falo nisso porque, no último domingo, passei pela Rua Nova, em Santo Antônio,  vindo do bairro de São José, junto ao Grupo Caminhadas Domingueiras.  E como sempre, registro nossos passeios aqui no #OxeRecife. A via é bem diferente da principal rua do comércio do centro da minha infância. Paramos em frente à antiga Sloper, hoje transformada em loja de calçados (Esposende). Do outro lado, lembra Francisco Cunha – que comandava o grupo –  ficava a loja Viana Leal, famosa pela sua escada rolante, à época a única do Recife.

Placa que fala sobre assassinato de João Pessoa – que desencadeou Revolução de 1930 – está desgastada.

Explicava ele que foi naquela fatídica esquina, que o então Governador da Paraíba, João Pessoa, foi assassinado no século passado, morte que seria o estopim para a Revolução de 1930. Francisco faz referência à placa sobre o assunto, mas fui conferir e vi que texto está ilegível.  Quanto à Viana Leal  (que fica defronte da esquina onde ocorreu o assassinato, na hoje inexistente Confeitaria Glória)  era a minha loja  preferida, porque tinha uma profusão de brinquedos à venda.

Mãe e tias iam à Sloper comprar roupas, maiôs da marca Catalina, a cada verão. E eu lembro que só pensava em atravessar a rua, para olhar as novidades da Trol e da Estrela, então as fábricas mais famosas de brinquedos do Brasil, cujas novidades estavam no setor infantil da Viana Leal. A loja ficava defronte da Sloper, ambas na esquina da Rua da Palma com a Nova, onde tudo é muito tumultuado nos dias úteis de hoje: camelôs, pedestres, carros,  poluição sonora, tudo misturado. Mas no domingo, a situação era tranquila. Embora nos deixasse ver problemas como placas degastadas, buracos no passeio público e outros obstáculos na mobilidade, como gelos baianos sobre as calçadas. Fiquei me perguntado qual o sentido desses blocos, verdadeiros monstrengos amarelos, nos caminhos de pedestres. Alguém sabe dizer?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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Um comentário

  1. Era um passeio certo com a minha mãe visitar a Viana Leal, a Sloper e depois lanchar na Varieté, na Larga do Rosario, ou tomar um sorvete na Botijinha, na Matias de Albuquerque.

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