“O que é a sujeira no mundo?”

“O que é a sujeira no mundo?” Foi assim, cheio de filosofia, que um morador de rua reagiu aos conselhos para que saísse da água, nos tanques da Praça da Independência, no último domingo, quando por lá passamos em uma das incursões das chamadas Caminhadas Domingueiras, lideradas por Francisco Cunha. É que embora o calor estivesse insuportável, a água suja não recomendava um banho. É impressionante como a nossa população não tem cuidado com os bens públicos, a julgar  pelo que observamos ali no dia 11: quentinhas, papel, copos descartáveis, garrafas de refrigerantes tudo boiando).

Porcalhões e “filósofo” de rua à parte, nosso guia conta como a Praça foi importante no traçado da Capital, pois figurava nas plantas da Cidade Maurícia, já no século 17, quando o Recife começou a se expandir para outras regiões além do porto. A área chegou a ser chamada de Terreno dos Coqueiros, no qual havia um pequeno mercado e também muitas árvores. Em 1788, as 62 casinhas dali  vendiam alimentos. Depois, os nomes foram muitos (Praça Grande, Comércio, Ribeira, Polé e União). Mas a partir de 1833, a Independência ganha denominação definitiva. E é, hoje, talvez uma das mais movimentadas do Centro.

Infelizmente a população do Recife não mostra zelo com praças, ruas e jardins, jogando lixo onde não deveria.

Até porque cruzam com ela ou se iniciam ao seu redor oito vias (entre avenidas e ruas) e até um largo. A saber:  Duque de Caxias, a Primeiro de Março, a Nova, a Matias de Albuquerque e Engenheiro Ubaldo Gomes de Matos (ruas); Guararapes e Dantas Barreto (avenidas) e ainda o Largo do Rosário. Ali fica, também, a Igreja do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio (1790).  A Praça da Independência  é palco da nossa história.

Ali, havia um polé, nome utilizado para definir instrumento de tortura utilizado para punir  acusados de determinados tipos de crime. Ali, também, o estudante Demócrito de Souza Filho foi assassinado, na sacada do Diário de Pernambuco, em protesto contra  o Estado Novo de Getúlio Vargas. A Praça da Independência precisa de cuidados e maior policiamento. Frequentadores se queixam da frequência de assaltos.  Às tarde e nas noites, a área é usada para meretrício e consumo de drogas. A última grande reforma foi em 1975, época em que o Diário de Pernambuco completou 150 anos. Hoje, o jornal mais antigo em circulação da América Latina funciona em nova sede, no bairro de Santo Amaro. O antigo prédio do DP – uma das relíquias da nossa arquitetura e de nossa história – está em visível  e avançado estado de degradação, o que é uma pena. Dizem que será ocupado pelo Porto Digital. Mas que tal transformá-lo em Museu da Imprensa de Pernambuco?

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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