Um passeio pela história do Recife

Muito oportuna   a 23ª edição do Projeto Olhe Pelo Recife, dessa vez com roteiro Especial Aniversário da Cidade. Foi neste domingo, com o Caminhadas Domingueiras, grupo capitaneado por Francisco Cunha, que conhece o Recife com a palma da mão. E que tem até um livro (Um Dia No Recife) sobre a história, formação, monumentos e arquitetura de nossa capital, que completa nada menos de 481 anos na segunda-feira, com direito a bolo de aniversário e presença de 33 agremiações carnavalescas nas ruas.

Os cerca de cem caminhantes se reuniram na Rua da Aurora, percorrendo o Recife de Forte a Forte. O grupo se encontrou perto da Ponte do Limoeiro, fazendo um percurso pela nossa história do Forte do Brum (no bairro do Recife) ao Forte das Cinco Pontas (em São José), com ponto final na histórica Praça da República, entre monumentos como o Teatro Santa Isabel (1850), o Palácio do Campo das Princesas (1841) e o Palácio da Justiça (1924), “onde antes havia o Forte Ernesto”. A primeira parada foi logo na Ponte de Limoeiro, que liga o bairro de Santo Amaro ao do Recife (conhecido como Recife Antigo).

E aí, confesso minha ignorância. Só hoje, ouvindo a história da Ponte, deduzi o motivo do seu nome. Depois de  Francisco explicar porque, como dizia Gilberto Freyre, “o Recife é filho de Olinda e neto de Igarassu” e  mostrar a importância estratégica do Recife e seu porto para os colonizadores (“o Recife passou quase três séculos como porto de Olinda”), ele lembra que a Ponte do Limoeiro tinha uma linha férrea, que saía da Forte do Brum e que ia até a cidade de Limoeiro (a 87 quilômetros do Recife). Daí, fomos ao Forte do Brum, construído pelos portugueses e concluído em 1630 pelos holandeses . O Forte foi edificado para defender o extremo norte do Recife.

Passamos,  depois, pela Igreja de Nossa Senhora do Pilar (1680), erguida sobre os alicerces de outro Forte, o de São Jorge. O percurso seguiu o caminho dos primórdios e expansão da cidade: região portuária, Pilar,  Rua do Bom Jesus (onde há ainda casario original do tempo dos holandeses), Avenida Rio Branco (já com arquitetura eclética), Praça da Independência – “onde cresceu o coração comercial da Cidade Maurícia”. Depois, Forte do Brum, Pátio do Terço, Pátio de São Pedro e Rua Nova, onde se concentrava o comércio mais sofisticado no início do século passado. O passeio acabou na Praça da República, de onde a gente podia ouvir o som de um concerto que se realizava no Palácio do Campo das Princesas. Foi muito prazeroso ver o Recife sem o inferno dos dias úteis, quando a cidade fica tomada de automóveis e ambulantes. Enfim, o Recife é uma bela cidade. E é preciso que a vejamos com bons olhos, e que seja tratada com mais carinho pelos nossos gestores.

Veja, abaixo, galeria de fotos com alguns dos locais por onde passamos:

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Texto e fotos: Letícia Lins

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