Na rota dos velhos casarões

Nada como aproveitar a tarde ensolarada do sábado para andar pelas ruas do Recife, que está completando 481 anos. Dessa vez, fazendo o roteiro dos seus velhos e cada vez mais raros casarões. Aqueles que têm passadp, resistem ao tempo, e estão virando relíquias no meio aos espigões que fazem do Recife a vigésima terceira cidade mais verticalizada do mundo.  O passeio foi organizado pelo Grupo MeninXs na Rua, e capitaneado por Agenor Tenório, que ainda teve o cuidado de contar um pouco da história e da arquitetura de cada imóvel visitado.

O passeio limitou-se à Zona Norte, com percurso de 7,5 quilômetros. Eram 63 pessoas inscritas, mas acredito que o número tenha sido ainda maior. Os MeninXs se reuniram no Parque da Jaqueira, de onde saíram pela Avenida Rui Barbosa, com paradas em três casarões daquela via: o prédio da Academia Pernambucana de Letras, o do Museu do Estado e ainda a mansão da família Batista da Silva. Começamos pela APL, imponente edificação datada de 1870, repleta de curiosidades. Contam que o proprietário, o Barão Rodrigues Mendes, ao enfrentar a viuvez, teria ficado tão desgostoso, que construiu uma torre da qual nunca mais desceu.  Legou as obrigações a filha e genro, e isolou-se do mundo até morrer. Veja abaixo,  galeria alguns dos imóveis do nosso roteiro:

Em seguida, paramos na frente do Museu do Estado, solar do século 19, que foi residência de Francisco Antônio de Oliveira, o Barão de Beberibe. “Como vocês percebem, a Rui Barbosa era uma artéria aristocrática, pontilhada de barões e famílias abastadas”, conta Agenor,  lembrando que “naquele tempo dava status morar perto do Rio (Capibaribe)”. O terceiro casarão foi o Palacete da Ponte D´Uchoa, datado de 1847, época de opulência dos engenhos e usinas de açúcar. O quarto imóvel já é um edifício, mas o casarão datado da década de 30 do século passado foi preservado. Ele pertenceu a Antônio Ferreira da Costa Azevedo, o Seu Tenente, que transformou a Usina Catende na maior da América Latina. O imóvel é o retrato da pujança da indústria açucareira nas primeiras décadas do século passado.  A Catende tinha capacidade produtiva para 1 milhão de sacas de açúcar por safra.

O palacete – hoje usado como área de recepções do Condomínio – fica na esquina da Rua Amélia com a Rosa e Silva. Passamos, depois, em frente ao Clube Náutico Capibaribe, no bairro dos Aflitos, cuja sede é um dos exemplares de arte deco no Recife. Daí, caminhamos até o Sítio da Trindade, em Casa Amarela. No meio daquela área histórica, há belo chalé, uma construção muito típica do século 19. Já caindo a noite, o passeio acabou no Poço da Panela, onde há bonitos casarões. Mas a intenção, no Poço, era mostrar  o Jardim Secreto aos caminhantes. O Jardim Secreto é uma área de convivência – com horta e jardins – que foi implantado pelos próprios moradores, à margem do Rio Capibaribe. A área  antes era degradada e ocupada pelo lixo. O Jardim tem 3 mil metros quadrados, e vai comemorar um ano com festa, no próximo dia 17. Nesse domingo participo de outro passeio, dessa vez com o Grupo Caminhadas Domingueiras, liderado por Francisco Cunha.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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