“Palestina” do Recife: “Cadê nosso país?”

“Irmãos e irmãs, Este 6 de março, Data Magna de Pernambuco, também é nosso Dia D. A Grande Invasão Palestina começa com o clipe de Cadê nosso país, o grito de guerra de Gaza”. É assim que Thiago Pereira (letras, voz e baixo), Tárcio Fonseca (guitarra e voz) e Thiago Paes Barreto (bateria) apresentam pela primeira vez um clipe da  Palestina, banda que está surgindo no Recife.

A  arma principal da Palestina do Recife é a música, em ritmo de rock. ”Lutaremos nos palcos. Lutaremos nos estúdios. Lutaremos nas plataformas de streaming. Lutaremos nas redes sociais. Lutaremos na mídia. Ocuparemos todos os espaços em defesa da nossa arte, custe o que custar. Nunca nos renderemos”, dizem. Apesar do nome da banda, o grupo mostra – no sentido metafórico, claro – que a Palestina é aqui.

Porque os brasileiros querem mesmo é ter de volta o seu país, um Brasil guiado por verdadeiros cidadãos e não por um grupo de assaltantes dos cofres públicos. Ou seja, como em Gaza, a Palestina recifense, pernambucana, brasileira, quer mesmo é o direito que cada um de nós tem à cidadania, usurpada todo dia. A  letra de Cadê Nosso País remete à realidade que o Brasil vive, nesse século 21. Pensem em um grito de guerra oportuno, real, entalado na garganta de gente como nós.

Afinal, trabalhadores que somos, pagadores de impostos revoltados com “nepotismo, fisiologismo, corporativismo, clientelismo, governismo”. E também com tanto “cinismo”. Vejam o clipe da Palestina, inteiramente dirigido e produzido por Tárcio Fonseca, que captou as imagens com uma GoPro velha, de segunda mão. A gravação foi em estúdio doméstico, onde os jovens artistas – publicitário, jornalista e professor de Inglês – se encontram sempre, saudavelmente, para tocar, cantar, ensaiar.

 

Agora, vejam a letra de Cadê nosso País. E digam depois, é para a gente refletir ou não é?

“A gente é a desobediência civil/ saindo às ruas do Brasil/ Tamo de olho nesse lixo todo/ e nas contas do seu paraíso/ Essa porra tem que acabar/ a gente é maioria e não vai se calar
Refrão: “Cadê nosso país?”
“A sujeira tem acesso/ dos palanques ao Congresso/ Aqui esquema comercial/ é aplicar num paraíso fiscal/ E o direito de um cidadão/ pode ser trocado por um pão”
Refrão: “Cadê nosso país?”
“A gente queria ver pra crer/ e viver pra ver/ Mas na verdade muita gente não liga/ Muita gente nem acredita/ Que isso aqui ainda vai mudar/ Muita gente só faz reclamar”
Refrão: “Cadê nosso país?”
“Nepotismo fisiologismo corporativismo clientelismo governismo é muito cinismo. A GENTE TÁ CANSADO DE TUDO ISSO”
Refrão: “Cadê nosso país?”

Leia também:
Rolling Stones lembrados no Espinheiro
Almério é um absurdo
Música de cinema para todos
Música erudita para todos
Não perca hoje o Música na Igreja
Aprenda a gostar de música erudita
Noite de chuva com música de cinema
Sangue negro e boa música
Jazz na terra do frevo e do forró
Chorinho movimenta Poço da Panela
Baião, jazz e Beethoven para todos
Entre o brega e o baião
Josildo Sá: frevo, forró e romantismo

Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Divulgação / Palestina

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *