“Revoltado com queda na calçada”

Jailson Pereira da Silva, 21, ganha a vida como flanelinha, na Avenida Boa Viagem. É o único tipo de trabalho que ele conseguiu  para engordar o orçamento da família, que mora em uma comunidade carente, chamada Fazendinha, na Zona Sul do Recife.  Nesta semana, ele teve um grande prejuízo. “Passei três dias sem trabalhar, deixei de ganhar R$ 150, porque não pude andar, depois de cair no buraco de uma calçada”, conta, apoiando-se em uma bengala improvisada.

Sempre converso com ele aos sábados e domingos, quando chego à praia. Dessa vez, o menino sempre animado me pareceu triste, com a cara sofrida, porque sentia muita dor. Foi trabalhar assim mesmo, mancando, com a ajuda de um pedaço de pau que lhe servia de apoio. A queda, contou ele, foi na Avenida Domingos Ferreira, “quando ia para o trabalho”. Ele chegou em casa, a família lhe aplicou gelo, mas o pé só fazia inchar.  Foi socorrido em uma Upa, onde lhe aplicaram uma injeção, e depois mandaram voltar para casa.

“Acho que a injeção não melhorou muito, porque a dor está grande. Mas penso que se não tivesse tomado, estaria pior”, diz, conformado. É provável que se ele tivesse sido socorrido em clínica particular, seu pé estivesse imobilizado como o meu já foi três vezes, por conta de tombos provocados por calçadas assassinas. Por enquanto, mal consegue andar.  “Eu pisei na pedra e ela resvalou, aí caí”, conta. Foi o mesmo tipo de acidente registrado, na semana passada, na Avenida Dezessete de Agosto, quando  um rapaz pisou na tampa do bueiro e caiu. A vítima precisou até de Samu, pois a dor da pancada foi tão forte que ele não conseguia andar.

“Fiquei revoltado  com queda na calçada”, acrescenta Jailson. “Como é que uma cidade não tem calçada que preste para se andar”?, indaga o flanelinha acidentado. “Hoje mesmo uma mulher se esfolou todinha, ao cair naquele buraco dessa calçada”, aponta mostrando falhas entre as pedras portuguesas do edifício Bahia Blanca, na praia de Boa Viagem. “Ela ficou tão revoltada quanto eu ainda estou”, relata. Ao #OxeRecife chegam relatos de leitores reclamando do mesmo tipo de tombo de Jailson. “Já caí em um bueiro, aberto. Torcer o tornozelo é uma constante”, afirma Lilly Poliesti, em mensagem enviada a esse Blog.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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