Parem de derrubar árvores (102)

Mais uma baixa no já decantado verde das ruas do Recife.  E bem recente. Foi enviada por uma leitora que reside em Casa Amarela e que passa todos os dias no local que, como eu, vive indignada com a matança de nossas árvores. A nova vítima do arboricídio (que deixa marcas cada dia mais frequentes na cidade) fica na Rua Guimarães Peixoto, em Casa Amarela, bem pertinho da esquina com a Brito Alves.

Ela foi degolada logo depois do carnaval. Como sempre ocorre com as árvores assassinadas do Recife, o canteiro que virou cova foi transformado em depósito de lixo, o que contribui para que a cidade fique  ainda mais brutal. Ou seja, menos humanizada. Um pouco depois, já próximo à Igreja da Harmonia, sou eu que me deparo com outro toco, dessa vez na Estrada do Arraial, próximo à esquina da Rua Olímpio Tavares, também em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Ou seja, as baixas de árvores, só nesse post, somam duas. São 173 vítimas de arboricídio computadas só aqui no #OxeRecife, entre 2017 e 2018.

Mais duas vítimas de arboricídio, em Casa Amarela, Zona Norte: “Que mundo é esse que exterminam árvores e gente”?

A moradora da Guimarães Peixoto, aliás, havia procurado o #OxeRecife para denunciar o assassinato de um andarilho do bairro. A notícia foi publicada no NE10, em  6 de fevereiro, mas não trazia a identidade da vítima. Só ontem soubemos de quem se tratava. “Acho que você sabe quem é, baixo, sujo e cabeludo. A gente via ele sempre rodando por aqui”. Sei sim, quem é. Aliás, quem era. Usava roupas que foram brancas, mas que ficaram negras de tão encardidas. Como caminho sempre, cruzava muito com ele, que me parecia não ter juízo perfeito.

Do andarilho, não sabíamos nem o nome. Como também não sabemos nnúmeros nem identidade das espécies de árvores que tombam nas ruas do Recife. “Mas uma amiga leu em um jornal que ele foi morto a pauladas, em frente ao Parque da Jaqueira”, contou ela. “Minha amiga viu a notícia no jornal e depois confirmou com os taxistas que fazem ponto no Hospital Agamenon Magalhães”, relatou. E indaga: “Que mundo é esse, em que exterminam árvores e gente. Como ando muito a pé, como você, e vejo, sinto as mudanças. É cruel, estou cada dia mais chocada”, diz a leitora ao #OxeRecife. Ela pediu para não ser identificada.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins e Cortesia do Leitor

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