A missão de Pai Jefferson Nagô

Jefferson Roberto dos Santos, mais conhecido como Pai Jefferson Nagô, tem uma importante missão a cumprir. Ele é o Presidente do Caboclinho Tribo Carijós, que completa 122 anos na próximo dia 5 de março, data que será comemorada com festa no bairro da Mangabeira, Zona Norte do Recife. Além de uma manifestação cultural – que embeleza o carnaval recifense – o Caboclinho Carijós atende, também, a uma demanda espiritual.

Isso porque foi fundada em 5 de março de 1896, pelo estivador Antônio da Costa, que costumava incorporar o caboclo Carijó nas sessões de Jurema, uma planta sagrada, ainda hoje muito cultuada em Pernambuco. Segundo a tradição oral, ele recebeu a autorização religiosa e a missão de organizar um grupo fantasiado de índio durante o carnaval, a fim de preservar a cultura regional. Em pouco tempo, seus caboclos já estavam nas ruas do Recife, com flechas, lanças, penachos coloridos e dançando Perré ao som de tambores, pífanos, gaitas de taboca e ganzá.

Em dificuldades financeiras, a Tribo passou 13 anos sem desfilar, mas voltou às atividades em 2011, sendo homenageada no carnaval de 2017, quando venceu o concurso de agremiações carnavalescas. Em 2018, repetiu o feito. Hoje, cada vez mais vivo, o Caboclinho Tribo Carijós é considerado o mais antigo do segmento a atuar em Pernambuco. O caboclinho é manifestação que tem raiz na cultura indígena, e – tanto quanto na sua origem – a espiritualidade é muito presente nos dias atuais, por meio de cultos e até pajelança. A maioria dos mestres e caboclos é ligada à Jurema, enquanto outros têm ligações com terreiros de Xangô e Umbanda. Jefferson é quem, é gente.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto:  Lu Streithorst  / Divulgação/ PCR

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