Intolerância religiosa cresce no Recife

É incrível que em um país laico, como é o caso do Brasil, ainda aconteça esse tipo de preconceito. A Secretaria de Justiça e Direitos Humanos  informa que registrou um aumento de 800% no número de denúncias contra intolerância religiosa em comparação a todo ano de 2017. Só esse ano, já foram contabilizadas 16 manifestações, contra duas do ano passado.

A mais célebre manifestação de intolerância religiosa, no entanto, partiu da missionária Michele Collins, por sinal Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal, onde é vereadora.  Acusada de racismo e intolerância religiosa, ela foi convocada a explicar-se no Ministério Público de Pernambuco, onde deve se ouvida na próxima sexta-feira. Michelle ofendeu Yemanjá, um dos orixás mais cultuados nas religiões de matriz africana. Até os maracatus fizeram protesto contra sua atitude.

De acordo com a Lei nº 9.459, é assegurado a todos os brasileiros o “livre exercício de cultos religiosos e tendo garantida a proteção aos seus locais de culto e às suas liturgias”. No entanto, o teor das denúncias são relatos de discriminação, xingamentos e discurso de ódio que violam a liberdade religiosa. As manifestações são encaminhadas à Polícia e ao Ministério Público. ”Devido ao acumulo de tantas violações cometidas, as pessoas estão mais encorajadas a fazer a denúncia, porque o próprio estado coloca que temos a obrigatoriedade de cumprir essa lei e tem ouvido mais essas pessoas que sofrem essas violações”, frisou a técnica em Políticas para Segmentos Sociais, Mãe Elza.

A Coordenadoria  de Igualdade Racial é um órgão da Secretaria Executiva de Segmentos Sociais  que  é responsável pela promoção, formulação, coordenação e avaliação das políticas públicas de  igualdade racial no Estado, povos e comunidades tradicionais e demais grupos étnicos que sofrem discriminação e outras formas de intolerância. Casos de violações podem ser denunciados anonimamente, através da ouvidoria do órgão pelo telefone 81 3182-7607, pelo site do órgão (www.sjdh.pe.gov.br), ou pessoalmente na sede da secretaria, localizada na Praça do Arsenal, no bairro do Recife.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Foto: Ray Evellin / Divulgação

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