A arte de Victor Moreira em livro

Lembro de Victor Moreira, desde meus tempos de criança, quando o conhecia apenas pelo nome. E ficava imaginando como ele seria. É que gostava de ver os croquis que ele publicava na editoria de moda do Jornal do Commercio. Recordo, anos depois, quando o conheci pessoalmente, de ouvi-lo contando histórias de sua vida, no refeitório da Nova Jerusalém, a cidade teatro localizada em Fazenda Nova, onde atua desde os tempos em que o Drama da Paixão  era uma produção artesanal, e estava longe de ser o mega espetáculo que é hoje.

Conversei com ele uma vez, enquanto jantávamos no refeitório da Nova Jerusalém. Eu era repórter de O Globo. E ele, o eterno figurinista do elenco. Nunca esqueci do dia em que lembrava – em meio a muitas risadas – os primeiros anos da criação do Drama da Paixão, quando ele e Diva Pacheco transformavam lençóis velhos em indumentárias para os atores. Até as latas de goiabada eram aproveitadas. “A gente usava para fazer as coroas de Herodes”, contou, referindo-se à época em que o espetáculo religioso era levado às ruas de Fazenda Nova por iniciativa da família Mendonça (Diva virou Pacheco depois de casar-se com Plínio, que construiu a cidade de pedra). Plínio e Diva – que dedicaram a existência à Nova Jerusalém – já são falecidos.

Lembro que ao abrir os jornais, as primeiras coisas que procurava eram os croquis de Victor Moreira.

E Victor (83) está aí, para contar história de Victor Moreira. Aliás, a história de toda uma vida com mais de seis décadas dedicadas à arte e à cultura, agora registrada no livro A arte de Victor Moreira, que vai ser lançado na quarta-feira (28),  às sete da noite, no Museu do Estado de Pernambuco, no bairro das Graças.  O livro, publicado pela Cepe, foi escrito pelo encenador e pesquisador Marcondes Lima.

Victor Moreira atuou no teatro, no campo da moda, no jornalismo impresso especializado e na TV. Ele criou desde estampas para fábricas de tecidos – nos tempos áureos da indústria têxtil em Pernambuco, quando bairros como Torre e Macaxeira tinham grandes cotonifícios, com suas vilas operárias –  até os figurinos dos espetáculos de Nova Jerusalém. O livro A Arte de Victor Moreira tem 172 páginas e é fartamente ilustrado. Possui 250 fotografias, documentos, páginas de jornais, estudos e originais de estamparias. A obra é o resultado de  trabalho de pesquisa realizado durante um ano e meio pelo autor Marcondes Lima. Victor Moreira prepara-se para comemorar 84 anos de vida no próximo dia 3 de março. Viva Victor!

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos:  Divulgação / Cepe

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