Os 45.929 passos entre o Recife e Aldeia

Pensem em um pessoal para gostar de caminhar. E hoje foi um dia de andar muito, do bairro do Rosarinho a Aldeia. Segundo cálculos dos caminhantes, nada menos de 31,7 quilômetros, 45.929 passos por asfalto, paralelepípedos, ladeira íngreme e estradas de barro. Não contei quantos foram, mas havia 130 inscritos. Eu, inclusive. O grupo seria pequeno, porque se tratava de exercício de reconhecimento do primeiro trecho da Caminhada da Taquara, que acontece no segundo semestre, quando mais de 160 quilômetros serão percorridos a  pé entre o Recife e Taquaritinga do Norte (que fica no Agreste).

A Caminhada da Taquara será entre 1 de 7 de julho. E o primeiro trecho foi testado hoje. Seria um grupo pequeno que o faria. Mas foram tantas as adesões, que a turma terminou ficando imeeeeeeeeeeeeeensa. As saídas foram de três locais: Rosarinho, Parque da Jaqueira, Dois Irmãos, último ponto de encontro até Aldeia. Como moro no caminho, fiquei de olho, e quando a turma passou com as bandeirinhas amarelas, entrei no grupo a partir de Apipucos. Fomos por Dois Irmãos, Sítio dos Pintos, Loteamento Oitenta, Estrada de Aldeia, Hotel Campestre. Não fiz todo o percurso, porque havia levado chuva e não gosto de ficar com roupa molhada. Voltei do Posto BR, no quilômetro 5,5 da Estrada de Aldeia.

A  temperatura muda logo na saída do asfalto e no primeiro contato com a mata, ainda em Sítio dos Pintos, no Recife.

Mas valeu: valeu a experiência em grupo, a “provação” em subir uma ladeira meio cansativa com muitas pedras soltas, a insistência da turma. E, claro, o exercício físico. Muito salutar nós sabermos que ainda restam resquícios de Mata Atlântica por onde passamos. E percebermos como muda a temperatura em áreas ainda com tantas árvores. E que algumas vias deviam chamar-se o caminhos das jaqueiras e pitangueiras, as frutas mais abundantes dos nossos percursos. Como ninguém é louco de andar carregando jaca, teve muita gente que encheu os bolsos de pitangas, que serviram para refrescar a empreitada dos peregrinos.

Alguns trechos percorridos, no entanto, mostram como o Recife enfrenta, em pleno século 21, situações medievais como o esgoto sendo jogado no meio da rua. Em Sítio dos Pintos, essa situação foi observada ao longo de todo o nosso roteiro. Em algumas extensões, ele aparece  despejado em galerias que deveriam ser pluviais e tampadas. Mas a maior parte está sem o devido cuidado. E haja proliferação de doenças. Em outros, o esgoto é visto escorrendo paralelo ao meio-fio. Ao longo do percurso, só tinha vontade de beber água. E consumi duas garrafinhas: uma que já levei de casa, para a primeira parte. E uma segunda, que comprei no Bar Rei da Cabidela, na Rua das Fronteiras, no Loteamento 80, já em Aldeia. De volta à casa, consumi uma tigelão saladas de frutas.  A caminhada foi organizada pelos MeninXs na Rua – via Bárbara Kreusig , Manoel Durão e Maurício Teixeira. O MeninXs  – como também o é o Caminhadas Domingueiras – é um dos grupos do Recife que se dedicam ao saudável hábito andar.

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Olinda é linda, mas… (1)

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife 

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Um comentário

  1. A caminhada foi ótima, sai da Jaqueira, e como não fizemos a parada da praça de dois irmãos, saimos na frente. É fizemos um percurso diferente, então só deu 24,8km.

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