Depois do coice, a queda

Depois do coice, a queda. Além de perder uma árvore – cada uma que tomba é uma a menos para garantir a qualidade do ar que a gente respira – os moradores e pedestres que passam no local ainda ficam sem calçada para caminhar, sendo obrigados a disputar espaço com os carros no meio do asfalto.

Foi lá no bairro da Torre, na Rua José Bonifácio, bem pertinho do Atacadão dos Presentes. A árvore ainda exibia no seu tronco as marcas das agressões provocadas pela motosserra insana, que vem protagonizando o arboricídio cada vez mais frequente no Recife. Passei de carro na manhã do sábado nessa via, e os pedestres estavam sem espaço para andar na calçada, onde a árvore foi assassinada.

À tarde, passei lá de novo, e os passantes permaneciam precisando andar no meio dos carros, para passar no local. Uma senhora que se dirigia a um bar ali perto, desabafou sobre o descaso. “Em uma rua movimentada dessa, deixam a calçada obstruída e a gente correndo o risco de morrer atropelada”. Está certa.  E eu pensei comigo: nessa destruição de nossas árvores em escala industrial, a gente vai terminar correndo outro risco: o de morrer sufocada. No sábado à noite, quando passei no local, os galhos haviam sido removidos, mas não as marcas do arboricídio.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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