Olinda é linda, mas…

Olinda é linda, mas… Andei pela cidade histórica no último domingo, com um grupo do Projeto Caminhadas Domingueiras. Achei que o sítio histórico encontra-se em situação um pouco melhor do que da última vez que estive lá.  Mas tem um problema que não acaba nunca: aquelas barracas sem estética do Alto da Sé. Pensem em um monte de coisa feia. O Alto da Sé é um dos principais pontos turísticos de Olinda e bem que merecia um tratamento melhor dos órgãos públicos.

Não custava nada equipar o local com jardins, bancos e quiosques que não agredissem tanto a paisagem de um dos locais mais pitorescos da cidade histórica. Estive este mês em Cartagena e é impossível não comparar. Embora mundialmente mais famosa, a cidade colombiana sabe preservar seu sítio histórico, embelezando-o com soluções urbanas: jardins floridos, árvores bem cuidadas, banquinhos para os visitantes. Algumas praças possuem até mesinhas, para que as pessoas possam contemplar seus prédios coloniais. Barracas semelhantes às usadas em feiras – sem nenhuma estética – como as que há no Alto da Sé, não vi em lugar nenhum.

Ambulantes há, claro, porque eles estão sempre em todos os lugares. Mas expõem suas mercadorias em esteiras, e não em barracas fixas. Também vimos muitas palenqueiras, que usam roupas semelhantes às das baianas, só que com as cores da bandeira da Colômbia. Elas não preparam comidas no meio da rua como em Olinda. Apenas vendem frutas, evitando-se assim, a manipulação de alimentos em locais inadequados, onde não há nem pia para se lavar as mãos.

É uma pena que essa situação não se resolva. Entra prefeito e sai prefeito, e continua tudo do mesmo jeito. É verdade que muitas pessoas vivem disso: da venda de tapiocas, coco verde, frituras. Mas nada impede que elas trabalhem em local limpo e em quiosques que não agridam tanto a harmonia do sítio histórico. É dali que se observa a bela paisagem da planície, o Recife incluso. É ali que, como salienta o Guia Um Dia em Olinda (de Francisco Cunha e Plínio Santos Filho) que fica “uma das primeiras igrejas da Capitania”, a Matriz de São Salvador do Mundo, mais conhecida como Igreja da Sé. Sua construção original data de 1540, em taipa. Depois, foi erguida em alvenaria, em 1584. Outros prédios históricos compõem o local, que, por servir para contemplação, devia ser bem mais aprazível. Olinda merece. E nós também.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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