Depois da caminhada: Olinda é linda

Olinda é linda. E linda demais, até. E durante o dia, ela é ainda mais linda, luminosa, alegre, colorida. Estive lá na nesse domingo, com o Grupo Caminhadas Domingueiras, liderado por Francisco Cunha. Foi muito bom visitar a cidade histórica pela manhã já que nós, moradores do Recife, costumamos frequentá-la mais à noite, para um barzinho, um bate-papo nos Quatro Cantos ou mesmo um jantar no Oficina do Sabor. Ou mesmo seguir algum cortejo, como o do Boi da Macuca, nessa época pré-carnavalesca.

Nosso passeio durou cerca de três horas, subindo e descendo ladeiras. Francisco conhece a Olinda na palma da mão, pois é autor (junto com Plínio Santos Filho) de Um Dia em Olinda, guia fundamental para quem gosta de se aprofundar na história, na arquitetura, na alma da cidade. Nosso ponto de encontro foi no Varadouro – que está até arrumadinho, em comparação com anos anteriores – e bem perto do Mercado Eufrásio Barbosa, que finalmente vem sendo restaurado, depois de anos de abandono. De descaso mesmo com o nosso patrimônio histórico.

Manhã de sol subindo as ladeiras de Olinda com o Grupo Caminhadas Domingueiras: História, arquitetura e preservação.

O Guia, com 164 páginas, estabelece cinco rotas para quem quer conhecer melhor a cidade, sendo quatro na parte histórica. E pelo que vi, nós fizemos um pouco de cada uma de quatro delas. De princípio, ele avisou que, somando todas as ladeiras (incluindo a da Misericórdia), subiríamos o equivalente a um “prédio de vinte andares”. Não sei se deu isso tudo, mas que a gente subiu um bocado, ah, subiu. Saindo do Varadouro, pegamos a Quinze de Novembro, Pátio de São Bento, Rua de São Bento, Treze de Maio, com visitas ao Mosteiro de São Bento e ao Museu de Arte Contemporânea de Olinda, defronte do qual há uma capelinha. Alguns dos caminhantes disseram que nunca a tinham notado. Todas as paradas tinham suas explicações sobre a arquitetura e importância histórica dos monumentos.

“A capelinha foi erguida para que os condenados assistissem à missa, atrás das grades da prisão”, comentou Francisco, lembrando que detentos ali recolhidos o eram por motivos religiosos. De lá subimos por uma escadaria que deu novamente na Rua de São Bento, e seguimos para nova parada, dessa vez  no mercado da Ribeira, “o Bompreço” da época (segundo Francisco). A Ribeira seria, também, um local de venda de escravos (versão questionada por historiadores).  Passamos, ainda, pela Prudente de Morais, Quatro Cantos, Amparo, Rua Saldanha Marinho,Estrada do Bomsucesso, Ladeira da Misericórdia, Alto da Sé, Rua de São Francisco, Praça do Carmo, Praça de São Pedro, Varadouro. Olinda é linda, e o #OxeRecife vai voltar ao assunto. Foi a vigésima primeira versão das Caminhadas Domingueiras, que contam com apoio do Fundo SocioAmbiental Casa e do Mobicidade . As Domingueiras integram o Projeto Olha Pelo Recife, do Observatório do Recife.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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