Emlurb limpa mas não multa porcalhões

Sinceramente, é uma vergonha para a própria população  o que acontece no Recife, onde porcalhão é o que não falta. As pessoas arranjam dinheiro para reformar suas casas, mas não se dão ao cuidado de alugar um papa metralha, para não deixar o lixo pesado nas ruas. Isso, tanto em bairros populares (Mangabeira, Alto José do Pinho, Nova Descoberta, Linha do Tiro) quanto nos mais sofisticados (Apipucos, Parnamirim, Boa Viagem, Casa Forte). Porque gente sem cidadania tem em todas as classes sociais. Com a chegada das festas de final de ano, os entulhos ficam ainda mais frequentes. Como quase ninguém leva multa, o abuso continua. E muito.

Na última quinta-feira, a Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana (Emlurb) deu início a um mutirão de limpeza nos bairros que compõem as Regiões Político Administrativas (RPAs) 2 e 3 da cidade, locais onde foi identificada uma maior concentração de resíduos desse tipo. Que poderiam ser menores, se a fiscalização funcionasse. Mas as pessoas que ligam para denunciar ao 156, são orientadas a procurar a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente, que manda ligar de novo para a Emlurb. Eu mesma já fiz esse teste. No jogo de empurra, o recifense que quer exercer sua cidadania, termina desistindo. Com a multa pesando no bolso, duvido que o descarte fosse assim, tão violento.

Apesar do mutirão da Emlurb, ainda tem muita metralha espalhada em Apipucos. Cadê a multa para os porcalhões?

Também acho que todos os equipamentos – lixeiras, caminhões, tratores da Emlurb – deviam ter a seguinte inscrição: “Descarte irregular de lixo é crime. Denuncie, fone 156”. E botava prá quebrar, em cima dos porcalhões, com fiscalização eficiente e organizada. Ação que geraria renda para os cofres públicos. Como ocorre com multas de trânsito. Enquanto as devidas punições não acontecem, o resultado é o que a gente vê nas ruas. O que implica em mais gasto do dinheiro público. A ação iniciada no fim de dezembro teve a finalidade de recolher metralhas, entulhos e resíduos volumosos provenientes de construção civil, descartados de forma irregular pela população. Fato que é mais frequente no verão, quando se costuma prepara a casa para as festas de Natal e Ano Novo.

Vi  muitos garis e máquinas nas ruas. E a sujeira era grande, como ocorreu na Rua Waldemar Borges, no bairro da Mangabeira, na Zona Norte. Foram utilizados quatro máquinas com pá mecânica, dois caminhões pequenos, 18 caminhões-caçamba, além do trabalho de 26 funcionários. A expectativa era de que cerca de 400 toneladas fossem recolhidas por dia. O balanço final não foi divulgado ainda, embora o serviço estivesse previsto para acabar no sábado. Só saberemos do resultado depois do feriado. Mas bem que essa turma poderia ter passado no bairro de Apipucos, onde alguns moradores não têm a menor consciência ambiental, e atiram metralhas nas encostas da ladeira que dá acesso à Igreja de Nossa Senhora das Dores. Todo mundo sabe quem faz isso, porque a obra ainda nem terminou. Só a Emlurb que não vê. Cadê a punição? Se não ocorre, o Recife vira mesmo – como diz o povo – a Casa da Mãe Joana. Xô, porcalhões.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife
Fotos: Letícia Lins (Apipucos) e Divulgação/ Emlurb (Mangabeira)

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