Contra as “clareiras” do Espinheiro

A excessiva erradicação  de árvores começa a mobilizar alguns bairros do Recife. A vez agora é do Espinheiro, cujos moradores e frequentadores acabam de entregar um abaixo-assinado ao  Secretário de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Recife, Bruno Schwambach, solicitando que se “preserve e restaure” a arborização do bairro, para que ele retorne à sua tradição do “efeito túnel verde”.  Realmente lembro de algumas vias do Recife que pareciam túneis verdes mesmo. E grande parte delas ficava no Espinheiro. Documento foi entregue na última sexta-feira, durante audiência pública sobre a Arborização do Recife, na Câmara Municipal. E o movimento pela volta dos “túneis verdes”  já ganhou até hastag #EspinheiroSombreado.

Para os mais de cem signatários do documento, a iniciativa é indispensável. E enumeram três motivos: “1- Trata-se o Espinheiro de um dos bairros historicamente mais arborizados do Recife, tendo sido um dos poucos da cidade a ser beneficiado pelo efeito túnel verde(ainda presente em alguns poucos trechos) com vegetação farta promovendo um sombreado contínuo nas artérias da região. 2- Esse efeito foi conseguido em decorrência do processo de arborização do bairro na primeira metade do século 20, com os famosos oitizeiros plantados nos bairros da cidade e que, no Espinheiro tiveram desenvolvimento especial e uniforme. 3- Ocorre que desde o final do século passado, continuando aceleradamente no princípio desse século, verifica-se um processo  de poda  extensiva e erradicação de árvores sem plantio, o que tem provocado, na prática, a abertura de “clareiras”, o desaparecimento do efeito “túnel verde”, o aumento da insolação e, como resultado, a perda do sombreamento característico do bairro”.

Francisco Cunha entrega documento a Secretário  contra “clareiras” e pela volta dos “túneis verdes” do Espinheiro.

Como vocês observam, o arboricídio começa a incomodar muita gente no Recife. Moradores e frequentadores do bairro pedem “que seja efetuado diagnóstico da situação atual de arborização do bairro, bem como apresentação de plano de manejo e rearborização com explicitação da estratégia a ser adotada e do cronograma de execução, com o objetivo de restaurar o sombreamento do Espinheiro, atualmente em amplo e franco processo de degradação”. O documento foi entregue pelo arquiteto, urbanista e consultor Francisco Cunha. Na última quinta-feira, ele participou de audiência pública na Câmara Municipal sobre “Arborização do Recife”. Também participei do encontro,  representando o #OxeRecife, por conta da nossa campanha #ParemDeDerrubarÁrvores, que resume  a nossa  luta contra o arboricídio e a motosserra insana.

O audiência foi convocada pelo vereador Jayme Asfora (PMDB). Efelizmente, rendeu frutos como noticiei aqui na própria quinta-feira.   Francisco está impressionado com as “clareiras” do Espinheiro. E eu, incomodada com o arboricídio que a gente vê nas ruas do Recife, onde há um toco em cada esquina. Francisco  tem autoridade para falar no assunto Espinheiro. É que embora tenha nascido no Prado, morou no Espinheiro (Av João de Barros, dos 3 aos 26 anos). Estudou no Instituto do Recife, junto ao Cinema Espinheirense  e no Regina Coeli ( na Barão de Itamaracá). Depois,  morou na Conselheiro Portela. Trabalha no Barão de Itamaracá (TGI) desde 1992. Portanto, está bem à vontade para falar sobre os efeitos do arboricídio naquele bairro, que já foi muito verde. Todo bairro tem que se mexer. Se assim não for, daqui a pouco só tem tocos em nossas calçadas. Abaixo o arboricídio! Parem de derrubar árvores.

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“Texto: Letícia Lins / #OxeRecife Fotos: Francisco Cunha e Maurício Guerra / Cortesia

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