Lei para conter arboricídio

A prática de arboricídio – o assassinato em massa das árvores em ruas, praças e jardins do Recife – pode ficar mais difícil. Depois da Audiência Pública realizada na manhã de hoje no Plenarinho da Câmara Municipal, o vereador Jayme Asfora (PMDB) informou ao #OxeRecife que vai apresentar projeto de lei que obriga a Prefeitura a dar publicidade quanto ao laudo técnico de cada árvore erradicada. Ou melhor, antes de suprimir, o poder público tem que explicar o motivo da decisão.

A iniciativa ocorre na próxima segunda-feira, e seu texto está sendo formatado.  Asfora foi o autor do requerimento que viabilizou a sessão pública dessa quinta-feira, para discutir a arborização da nossa cidade. O encontro foi no Plenarinho da Câmara Municipal, e reuniu secretários da Prefeitura, representantes da Emlurb e da Celpe, e até a titular do #OxeRecife. “Há muitas erradicações no Recife, mas a população não toma conhecimento dos motivos”, disse o vereador. Ele sugeriu, ainda, que após a erradicação, uma outra planta seja colocada no mesmo local. “Que um laudo técnico  prévio de cada árvore a ser eliminada seja publicado, de acordo com o que prescreve o Manuel de Arborização do Recife, de 2013”.

Informou, ainda, que a sua iniciativa tem o objetivo, também, de evitar “podas assassinas”. Consultor, arquiteto e urbanista, Francisco Cunha se definiu como “caminhante urbano”, que já percorreu, andando, cerca de 10.000 quilômetros do Recife. “A gente vê de tudo e uma grande quantidade de tocos”, afirmou, ratificando denúncias do #OxeRecife, através da hastag #ParemDeDerrubarÁrvores. Ele disse que a arborização é fundamental para cidade, até pela característica tropical do Recife. “Sem as árvores não há sombra, e sem sombra não se anda”.

Lembrou que um terço da população anda a pé e que outro terço são ciclistas ou usam transporte coletivo. Se juntarmos essas dois contingentes, temos diariamente dois terços da população caminhando pela cidade tropical”. E descreveu : “Cidade inteligente é aquela onde se pode caminhar”. Depois, arrematou: “Por mais tecnológica que seja, uma cidade não deve ser considerada inteligente se nela não se pode caminhar”.

Francisco Cunha fez quatro sugestões, a primeira logo encampadas por Asfora: lei que determine a obrigação de publicação prévia com os laudos  que justifiquem cada erradicação. O vereador sugeriu, ainda, o imediato plantio da árvore erradicada no mesmo local da árvore eliminada, maior cuidado com as “podas assassinas”, e também que o Plano de Arborização por bairro possa ter participação ativa da comunidade.

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Texto: Letícia Lins / #OxeRecife Foto: Heliane Rosenthal

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