Imóveis em ruínas nas Graças

Incluídos há cerca de três anos entre os Imóveis Especiais de Proteção (IEP), dois dos mais famosos exemplares da arquitetura moderna do Recife estão em visíveis ruínas. Os números 629 e 639 da Avenida Rosa e Silva, no bairro das Graças, não fazem jus à nobre lista da qual participam como IEPs. Estão com paredes caindo, as portas foram arrancadas, e o lixo e o matagal comem os antigos jardins.

Vi o estado de calamidade em que se encontram durante um passeio com o Grupo Caminhadas Pilateiras, um dos três do qual faço parte com o objetivo de conhecer melhor o Recife, andando sempre a pé. Fiquei decepcionada com o quadro, pois como integrantes do grupo de IEPs, ambas teriam de estar muito bem conservadas, quem sabe sendo utilizadas para fins culturais. Mas no Recife, as coisas acontecem assim: deixa-se cair, para depois se tomar alguma providência.

Consideradas imóveis especiais de proteção, casas modernas estão em ruínas nas Graças e precisam atenção e respeito.

A proteção das duas casas foi aprovada pelo Conselho de Desenvolvimento Urbano do Recife, em 2014, quase por unanimidade. Foram 15 votos a favor e apenas uma abstenção. Na mesma reunião, o Conselho decidiu que o secular casarão onde funcionava a Padaria Capela (lembram dela?) não precisava ser incluído nos IEPs. Para tristeza dos que amam o Recife, o casarão foi demolido em pouco tempo (antes, claro, que alguém mudasse de ideia). Dias depois, o terreno onde ele funcionava, havia virado um estacionamento. Os carros… sempre eles.

Fiquei muito triste, quando vi o espaço do velho prédio da Padaria Capela ocupado por carros. O terreno em questão é na esquina da Avenida Rosa e Silva. E hoje abriga uma farmácia,  sem nenhum compromisso com a beleza da arquitetura do passado. A Capela ainda chegou a funcionar em dos casarões modernos da Rosa e Silva. Mas não deu certo. Acho que o consumidor se sentiu ferido, ao ser privado de comprar o pão no velho casarão, que tinha mais de cem anos. Deve ter sumido. Porque, logo depois, a Capela fechou as portas. Vai ver que estaria a todo vapor, ainda hoje, se tivessem lhe deixado ficar no prédio original. Uma filial da padaria funciona em uma casa comum, hoje, no bairro de Casa Forte, Zona Norte do Recife.

Leia também:

Casa Forte e casarões em risco
Reformas para pior no velho casario
“Poço” do Poço, chorinho e bandolim
Antes que sumam os casarões
Igarassu preserva 500 anos de história
Casa duplamente histórico no Poço

Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

Compartilhe

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *