Bagunça no Mercado da Madalena

Sempre achei que os mercados públicos refletem a alma de um povo, e funcionam como um termômetro da cultura popular. Mas são, também, o retrato da vida das cidades, deixando transparecer a sua efervescência ou a sua decadência. No caso do Recife, eles são o retrato da má fase pela qual passa a nossa Capital, cuja aparência é de total abandono: praças descuidadas, bancos quebrados, vegetação morrendo, sujeira em todo canto.

Muito bom saber, portanto, que os mercados públicos do Recife vão passar por reformas. Para ser sincera, só conheço um com instalações adequadas, super limpo, sem mau cheiro nenhum: o do Cordeiro. Embora eu goste muito mais dos de Casa Amarela, Encruzilhada e, principalmente o da Madalena.  O de São José também é outro que me fascina, desde meus tempos de criança. Todos funcionam não só como locais de compra e vendas, mas sobretudo como pontos de convivência. Mas dá tristeza visitar a maior parte deles. Estão muito abandonados, detonados mesmo.

Estive recentemente no Mercado do Cordeiro, e o achei arrumado e mais limpo que os demais.

Há alguns dias, a Prefeitura vem divulgando informações segundo as quais os mercados públicos vão passar por reformas. Finalmente. O da Encruzilhada – um dos mais movimentados – foi o primeiro deles. Os outros também passarão por reparos, e até ganham programação cultural. Nada mais justo.  Até porque mercados funcionam como atração turística em qualquer lugar do mundo. O problema  no Recife é que cuidar do mercado e deixar o entorno entregue às baratas não recomenda bem.  O de São José, no bairro do mesmo nome, vive cercado de lixo.  Já passei vergonha levando turista amigo lá. Mesmo problema é verificado na Encruzilhada. O da Boa Vista, tem calçadas extremamente degradadas no caminho, que também é sujo.

E o da Madalena, meu Deus do céu… Deste falo com propriedade, porque todo sábado vou lá comprar queijo, carne de sol, castanhas, passas de ameixa ou de caju. Não tem reforma que atraia turista com um entorno daqueles. Ele não tem a imponência do de São José nem do de Casa Amarela (que também é de estruturas de ferro), mas é muito movimentado. Sua praça de alimentação vive povoada de boêmios. O problema, no entanto, é o entorno. A Praça Solange Pinto Melo está totalmente abandonada, como vocês podem observar na foto. Não tem mais grama, muitas plantas morreram e foi invadida por moradores de rua, que fazem ali suas necessidades fisiológicas e utilizam os equipamentos para estender seus trapos. Uma bagaceira, completa e absoluta, que não é de hoje. Para completar, tem gente que joga vísceras de peixes e animais nos lixeiros externos, sem ter o cuidado de ensacar. Aí… já viu, o odor que faz medo até chegar perto.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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