Sanitários sem portas em Boa Viagem

Repudiados pelos moradores da Avenida à beira-mar, antes mesmo da construção, os banheiros que ficam no calçadão de Boa Viagem já se incorporaram não só à paisagem, como aos hábitos dos banhistas que antes, na falta deles, usavam o mar como sanitários. Até pouco tempo, eles não faziam vergonha aos turistas. Estavam sempre limpos, tinham papel higiênico e eram até elogiados.

No entanto,  agora há alguns que impedem até mesmo a privacidade dos usuários. Há quinze dias, estive em um dos banheiros do calçadão, mais precisamente o que fica em frente ao prédio Acaiaca, um dos pontos mais movimentados daquela praia da nossa Zona Sul. Não sei o banheiro masculino, mas o feminino estava sem as duas portas do sanitário. Devem ter sido arrancadas por vândalos, mas não recomenda bem para a uma cidade turísticas, banheiros daquele jeito. No último sábado voltei lá, só para checar a situação.

A Emlurb até que limpa a praia com regularidade, mas falta fiscalização contra ambulantes que emporcalham a areia.

Estava tudo na mesma. Aliás, tinha uma pequena diferença. Alguma alma boa improvisou duas “portas”, com uma cortina de pano que mais parece um molambo. Fiquei pensando nas prioridades do turismo pernambucano. Enquanto se gasta um bom dinheiro em campanha que invadiu o metrô de São Paulo, nós não temos, sequer, um banheiro digno para oferecer ao turista, nem calçadas para se andar e, muito menos, uma cidade e uma praia limpas.

No caso das areias de Boa Viagem, a Emlurb está sempre presente, com seus garis. Mas tem muito porcalhão na areia. Inclusive que entre os que fazem da praia um meio de vida. Em Boa Viagem, há ambulantes que continuam descartando todo o lixo – coco, garrafas, restos de comida (espinhas de peixe, ostras, caranguejos)  – entre as carroças e o paredão que separa a praia do calçadão. E nada acontece. É normal. Em alguns locais, o lixo é descartado indevidamente até mesmo quando há um sacão grande da campanha Praia Limpa, ao lado. Dá para entender? E como lixo gera mais lixo, cada vendedor que passa na praia vai lá e joga os restos no mesmo lugar. No início da tarde, o mosqueiro é grande.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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