“Poço” do Poço, chorinho e bandolim

Conta Pereira da Costa, no livro Arredores do Recife, que no século 19 não havia água potável na localidade onde hoje fica o bairro Poço da Panela. As famílias temiam ingerir a água do Rio Capibaribe, e mandavam buscar outra de melhor qualidade em Casa Forte ou Monteiro. Mas que depois foi encontrada “uma abundante vertente”, onde logo “fez-se uma escavação para se formar um poço regular”, no fundo do qual “colocou-se uma grande panela de barro”. Foi a partir daí, de acordo com o historiador, que surgiu o nome Poço da Panela.

Pois em meu último passeio pelo bairro, junto com um grupo do Olha!Recife, liderado pela guia Cristina Schirmer Baisch, nos foi mostrado o poço que teria dado origem àquela denominação. Ele fica no terreno entre a Casa de José Mariano e a Igreja de Nossa Senhora da Saúde. Se a informação é verdadeira, bem que merecia uma placa indicativa no local.  Mas tudo que consta lá é uma tampa redonda de cimento. Nem sei se a “vertente” ainda brota.

Entre a Casa de José Mariano e a Igreja de Nossa Senhora da Saúde fica o poço que deu origem ao nome Poço da Panela.

É por essa e outras, que adoro passear pelo Poço da Panela. E em dias de verão, como esse domingo, melhor ainda. E o que dizer, se o passeio pode render uma parada para se escutar música da melhor qualidade? É que todos os domingos tem chorinho no Poço da Panela, com quinteto de músicos liderados por Betto do Bandolim. Um programão para fechar um passeio pelas ruas do bairro, entre muita história e antigos casarões.  O chorinho integra o Projeto Poço das Artes, liderado pela  artista plástica Clarissa Garcia. Betto toca acompanhando do Conjunto Brasil Sonoro. O encontro acontece a partir das 13h, na Rua Álvaro Macedo, 54. Mas tem hora para terminar: 16h.

Cerveja, chorinho, muita conversa e comidinhas rolam no Poço das Artes, no Poço da Panela, nas tardes de domingo.

Ficam mesinhas na calçada, as pessoas bebericando ou comendo e ouvindo Betto (Bandolim), Alberto Guimarães (violão sete cordas), Nelson Brederode (cavaquinho), George Rocha (pandeiro) e Xaruto (surdo). O couvert é R$ 15. Também há comidinhas como sarapatel, pernil na cerveja preta, penne com tomate seco, sururu. Os preços variam de R$ 12 a R$18. Há, ainda, três tipos de sobremesa, que custam de R$ 10 a R$ 12.  Você pode visitar a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, que fica praticamente na esquina da Álvaro Macedo, a folclórica Venda de Seu Vital, a Casa de José Mariano e o Jardim Secreto, iniciativa dos próprios moradores que vêm transformando uma área degradada, à margem do rio Capibaribe, em horta comunitária, pomar e ponto de lazer e convivência.

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Texto e fotos: Letícia Lins / #OxeRecife

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