Medo em volta do Cais do Imperador

É uma pena o que está acontecendo no nosso Estado, cujos números da violência lembram uma guerra civil. Já são 4.576 vítimas de homicídios até outubro de 2017, número maior do que o total registrado em todo o ano passado, quando foram registrados 4.479 assassinatos. Caso os números se mantenham nesse pique, chegaremos ao final do ano com mais de 5 mil pessoas mortas de forma violenta em Pernambuco. Histórias de assalto, também a gente ouve de todos os amigos. Inclusive na Avenida Agamenon Magalhães, nos últimos dias, onde a Secretaria de Defesa Social diz ter sido muito reduzido a quantidade desse tipo de abordagem.

No último feriado, passei naquela via, que considero bem sinistra. Já sofri uns cinco assaltos ali, onde a gente vira presa fácil dos bandidos, porque fica retida em sinais de três tempos. Já fui ameaçada com arma de fogo, caco de vidro, essas coisas. Por isso, quando vou à Zona Sul, prefiro ir por outro caminho, como BR 101 e Avenida Recife. Não são esse primor de tranquilidade, mas a gente não fica preso demais nos semáforos. No feriado passei na extensão da Agamenon, e só vi duas duplas de PMs, assim mesmo distantes dos cruzamentos, onde reside o perigo. E assim, a gente vai mudando os hábitos, evitando certos lugares, certas horas.

Hoje o grupo Amantes do Recife ia fazer um encontro no charmoso Cais do Imperador. Estava marcado para as cinco da tarde. Mas foi cancelado. Adivinhem porque. Veja só o que diz o Coordenador do Amantes do Recife, Ubirajara Lopes Carvalho, no Facebook. “Devido à pouca adesão e ao pânico criado quanto à violência em redor do lugar, o que não concordo, fica adiado ou até mesmo cancelado o nosso encontro no Cais do Imperador”. É uma pena. O Cais é um lugar charmoso, e um belo exemplo de como se curtir a beleza (apesar da poluição) do nosso Rio Capibaribe, contra o qual a população do Recife levou longo tempo dando as costas.

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Texto e foto: Letícia Lins / #OxeRecife

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